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Capítulo 2

Author: Beringela
— Eu achei que você ainda não tivesse começado o banho. Vim trazer as roupas, mas a porta estava aberta... Vou sair agora.

Talvez assustado com a minha reação, Felipe recuou dois passos depressa e tentou se explicar.

Meu rosto queimava. Eu nem sabia se cobria primeiro o peito ou a parte de baixo.

Mas aquela sensibilidade maldita não me dava descanso. Depois do olhar dele, meu corpo parecia ainda mais fora do meu controle. Um rastro claro escorreu pela minha pele, desceu pelo ventre em uma linha lenta e chegou a um ponto íntimo demais.

Felipe ficou imóvel por um instante. Sem querer, acompanhou aquele vestígio até onde não deveria.

E eu percebi.

A calça dele denunciava uma reação evidente.

Meu rosto ardeu ainda mais.

Ao notar meu constrangimento, Felipe finalmente pareceu recobrar a razão. Deixou as roupas sobre a bancada, virou-se e saiu do banheiro.

— Essas roupas foram compradas pela minha esposa há uns dois anos, mas ela nunca chegou a usar. Estão novas. Se você não se importar, pode vestir depois do banho.

A voz dele veio do lado de fora.

— Hum.

Respondi baixinho. Encostei as costas na porta, com o coração batendo tão forte que parecia prestes a saltar do peito.

A imagem daquela reação dele continuava presa na minha cabeça, por mais que eu tentasse afastá-la.

Ainda com o rosto quente, baixei os olhos para o meu próprio corpo. Ao ver aquele rastro claro sobre a pele, estremeci como se tivesse levado um choque. Levantei-me depressa, abri o chuveiro e deixei a água levar embora aquela marca constrangedora.

Tomei banho às pressas. Depois, peguei as roupas que Felipe havia deixado e comecei a me vestir.

Ele tinha preparado para mim um vestido preto sem mangas. O tecido era liso, macio como seda, desses que parecem caros antes mesmo de a gente olhar a etiqueta.

Também havia uma calcinha com estampa de oncinha, ainda lacrada na embalagem.

Quando abri o pacote, meu rosto voltou a esquentar.

A peça tinha um ar íntimo demais. Boa parte era feita de uma renda fina, translúcida, delicada e provocante. Depois que a vesti, minha pele ficava meio coberta, meio exposta, de um jeito ainda mais perturbador do que se eu não estivesse usando nada.

Talvez não houvesse nenhuma outra roupa comum na casa dele. E, no fim das contas, era só uma peça íntima.

"Não devia ter problema... Certo?"

Com o rosto em brasa, terminei de me trocar.

Só então percebi que o mais perigoso não era a calcinha.

Era o vestido.

O decote em V era baixo demais.

Como Felipe também não havia deixado nenhum sutiã, assim que vesti a peça, mais da metade do meu peito ficou à mostra. Entre as curvas cheias, formava-se uma sombra profunda, tão evidente que eu mal tive coragem de continuar encarando o espelho.

O tecido sedoso roçava diretamente a parte mais sensível do meu corpo. A cada movimento, vinha uma leve oscilação, um atrito quase imperceptível, mas suficiente para me deixar inteira tensa. Fechei as pernas por instinto, tentando conter aquela sensação incômoda e vergonhosa.

Pouco depois, meu peito voltou a umedecer.

Era, sem dúvida, uma roupa bonita.

Mas, vestida daquele jeito... Como eu sairia dali?

Olhei para minhas próprias roupas encharcadas no chão. Não havia a menor condição de colocá-las de volta.

Mordi o lábio, respirei fundo e, no fim, só me restou criar coragem.

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