LOGIN— Obrigada, Roberto.Larissa bateu de leve à porta do escritório.A voz grave de Samuel veio lá de dentro:— Entre.Ela abriu a porta e o encontrou de pé diante da escrivaninha, tão concentrado que nem ergueu os olhos.Samuel sempre teve uma caligrafia admirável. Os traços saíam firmes, seguros, com uma força que parecia vir do próprio pulso. Nos últimos anos, sempre que o tempo sobrava, ele se sentava ali para preencher algumas folhas.— Você não acha que meu traço perdeu um pouco do vigor?Samuel pousou o pincel e contemplou os caracteres diante dele, ainda sem perceber quem entrou.Depois de examiná-los por mais alguns instantes, soltou um suspiro.— Não adianta brigar com a idade. Estes ossos já nem obedecem como antes.— Que bobagem.A voz de Larissa o fez parar.— O senhor continua forte, e sua caligrafia ainda tem a mesma presença de antes. Parece obra de mestre.Samuel levantou a cabeça.Assim que a viu, seus olhos se iluminaram e uma gargalhada encheu o escritório.— Sua danad
Arthur ignorou a chamada. Assim que o toque cessou, tornou a se inclinar sobre ela, disposto a retomar de onde parou.Mas aqueles poucos segundos bastaram para que Larissa recuperasse parte da lucidez. Ela puxou o ar algumas vezes, ainda ofegante, e apoiou as mãos contra o peito dele.Arthur franziu levemente a testa. Quando falou, a voz saiu rouca, carregada pelo desejo interrompido:— O que foi?Larissa nem chegou a responder.O celular voltou a tocar.Quem quer que estivesse do outro lado parecia decidido a não desistir, e a insistência acabou de vez com o clima.No instante seguinte, o peso sobre Larissa desapareceu.Arthur se sentou à beira da cama e atendeu. O vermelho ainda tingia seus olhos, mas agora se misturava a uma irritação mal contida.— É melhor que seja realmente urgente.Do outro lado, Pedro sentiu o golpe daquela voz e gelou por dentro.O que aconteceu para o presidente estar tão furioso?Ainda assim, foi direto ao ponto:— Presidente, acho que o Sr. Ciro viu o senho
No instante em que sentiu a maciez dos lábios de Larissa sobre os seus, Arthur ficou imóvel.Seus olhos se abriram devagar. A surpresa acendeu o olhar, seguida por uma ternura tão intensa que ele mal conseguiu escondê-la.— Lari...Arthur segurou os ombros dela e a fitou, ainda tomado por uma alegria incrédula.— Você sabe o que está fazendo?Larissa não suportou o calor daquele olhar. Baixou o rosto, envergonhada.— Foi só um beijo.Mal terminou de falar e sentiu o rosto esquentar ainda mais.O rubor se espalhou por suas faces. Uma mecha solta caiu sobre o rosto inclinado, enquanto os cílios curvos escondiam seus olhos. Assim, quieta diante dele, Larissa parecia doce demais para ser a mesma mulher que, quando queria, ardia com toda a vivacidade de uma rosa.Arthur percebeu os dedos dela apertando sua mão, denunciando o nervosismo.Um sorriso cheio de carinho se formou em seus olhos.— Está com tanto medo e ainda quer fazer isso por mim?Larissa ergueu o rosto, sem entender.— Por você
Pensando melhor, desde que voltou a Asteria, Arthur sempre aparecia ao lado de Larissa, protegendo-a em cada conflito.Será que aquilo entre os dois começou muito antes do que ele imaginava?Ao vê-los se afastar, Ciro quase foi atrás deles para exigir uma explicação.— Ciro, se acalma primeiro.Melissa surgiu de repente e segurou sua mão.— Se você for agora, só vai deixá-los em alerta.Ciro franziu a testa e puxou a mão de volta.— O que você está fazendo aqui?A frieza dele feriu Melissa, mas ela ainda manteve a voz frágil:— Faz dias que você ignora minhas ligações e mensagens. Ciro, você consegue mesmo me tratar como se eu não existisse?Bastava olhar para ela para que as imagens daqueles vídeos voltassem à mente de Ciro.A raiva lhe subiu pelo peito.— Se você não passasse todos esses anos mentindo, eu não teria descontado tudo em Larissa. Nós não chegaríamos a este ponto.Ele a encarou, sem esconder o desprezo.— Melissa Vasconcelos...Ciro interrompeu a si mesmo.— Não. Melissa
O mês de julho tornava Aurimare quase insuportável de tão abafada.Assim que Larissa entrou no carro, o ar fresco a envolveu por inteiro. Ela consultou o horário no celular e olhou para Arthur.— Você está livre amanhã?— Estou.Arthur tomou sua mão entre as dele.— Eu sei que amanhã faz mais um ano que sua mãe se foi. Vou com você. Já deixei tudo preparado para a homenagem.Larissa virou o rosto devagar.Por alguns segundos, apenas contemplou os traços elegantes de Arthur, banhados por uma ternura que quase lhe doeu.— Como você se lembrou?Uma sombra se escondeu no fundo do olhar dele, mas o sorriso que lhe ofereceu foi sereno.— Você comentou uma vez. Eu guardei.O nariz de Larissa ardeu.O calor subiu aos olhos tão depressa que ela quase não conseguiu conter as lágrimas. Ainda assim, respirou fundo e forçou um pequeno sorriso.— Obrigada por se lembrar dessas coisas.Nem ela mesma acreditava que, no dia seguinte, Arthur estaria ao seu lado diante do túmulo de sua mãe.A princípio,
Quando os pratos chegaram, Zelda enfim voltou à mesa.Mas o desânimo estampado em seu rosto deixava claro que alguma coisa aconteceu.— O que foi?Larissa percebeu que ela estava abatida e perguntou com cuidado.Zelda espetava distraidamente o arroz com porco assado, sem a menor vontade de comer. Manteve o rosto baixo por alguns segundos antes de responder:— É um problema lá de casa.Ergueu os olhos para Larissa, como se quisesse dizer mais, mas não soubesse por onde começar.Larissa arqueou uma sobrancelha.— Dinheiro?Zelda assentiu.— Um pai viciado em jogo, uma mãe que nunca sabe o que fazer e um irmão ainda no ensino médio...Um sorriso amargo lhe passou pelos lábios.— Toda a casa depende de mim. Meu cachê já não é grande coisa, e quase tudo vai para eles.Ela respirou fundo, tentando segurar a frustração.— Pode rir de mim, mas, há poucos dias, mandei trinta mil. Agora acabaram de ligar pedindo mais cento e cinquenta. De onde eu vou tirar esse dinheiro?A voz se apertou no fim.
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar
Por sorte, o toque do celular salvou Larissa do constrangimento.— Alô?O coração acelerou. Ela atendeu às pressas.Do outro lado, veio a voz provocadora da modelo famosa e melhor amiga, Alisa Sampaio:— Então? Minha Srta. Larissa assinou ontem. Aposto que à noite já foi aproveitar o corpo jovem e f
Larissa ficou imóvel. O coração acelerou.Quando Arthur abaixou o rosto para beijá-la, o corpo dela tremeu, fora de controle.Ele percebeu. Parou no mesmo instante, forçando o domínio sobre o desejo que quase transbordava.— Com medo?Larissa ainda não tinha recuperado os sentidos.Arthur passou o i







