LOGIN– Larissa.Ao passar por Ciro, ela sentiu os dedos dele se fecharem em torno de seu pulso.– Podemos conversar?Os dois pararam bem diante do elevador, bloqueando a passagem. Quem estava dentro não conseguia sair; quem esperava do lado de fora, tampouco entrar.– Larissa...A voz de Zelda veio lá de dentro, insegura, carregada de culpa.Larissa olhou para trás.Bastou um instante para entender de onde Ciro tirou a informação sobre seus horários. Seu olhar passou por Zelda sem calor e logo voltou para ele.– Me solta.Ela tentou afastar a mão, mas Ciro apertou ainda mais.– Dez minutos. Só preciso de dez minutos.Larissa percebeu que ele não a deixaria sair dali sem uma resposta.– Está bem. Dez minutos.A alegria surgiu depressa demais no rosto de Ciro.Larissa não queria continuar impedindo a passagem, muito menos virar espetáculo no saguão. Por isso, seguiu com ele até a cafeteria ao lado.O lugar estava quase vazio àquela hora.Ela escolheu uma mesa junto à vidraça e se sentou diant
— São para você. Uma vez disse que gostava de rosas vermelhas, então eu trouxe.Ciro estendeu o buquê com as duas mãos. A devoção estampada em seu rosto, somada à beleza que sempre atraía olhares, fez alguns diminuírem o passo ao passar por eles.Ainda nem eram nove e meia da manhã.Ele aparecer ali, justo naquele dia, não podia ser coincidência.Larissa não tocou nas flores.— Como você soube que eu viria hoje?Ciro conhecer seu trabalho como roteirista não era estranho. O problema era outro, ela não ia à produtora todos os dias, e quase ninguém sabia daquela reunião.— Isso não importa, Larissa.Ele manteve o buquê entre os dois, os olhos presos aos dela.— O que importa é que eu amo você. Quero te conquistar de novo. Só peço que me dê mais uma chance.Por um instante, uma dor amarga atravessou Larissa.Durante anos, foi aquele olhar que ela esperou encontrar.Na época, Ciro nunca o ofereceu.Agora, enfim, ele a contemplava como ela tanto desejou um dia.Só que já era tarde.Larissa
— Dar o quê? Mesmo sendo uma Moretti, seu dinheiro não cai do céu. Se eu peguei emprestado, vou devolver.Zelda nem deixou espaço para discussão.— Posso estar sem dinheiro, mas não sem caráter.Não importava o que Larissa dissesse, ela continuava profundamente agradecida. Antes de desligar, ainda a convidou para almoçar e passear no dia seguinte.Como Larissa já precisava ir à produtora, aceitou.Na manhã seguinte, ela se arrumou cedo para sair.Como de costume, escolheu algo delicado: um vestido floral de alças, em tons rosados e claros, ajustado na medida certa para acompanhar a cintura fina e valorizar suas curvas sem perder a elegância.A pele clara realçava ainda mais sob aquelas cores. Com o rosto pequeno e os traços suaves, Larissa parecia carregar a própria luz por onde passava.Arthur, já sentado à mesa, ergueu os olhos para ela.Um leve vinco surgiu entre suas sobrancelhas.— Vai tão cedo para a produtora?Larissa parou junto à escada e se virou para ele.— Sim. Tenho uma re
– Por que está me olhando desse jeito?Arthur percebeu o olhar dela quando terminou de secar seus cabelos. Desligou o aparelho e a encarou, com um sorriso escondido nos olhos escuros.Larissa estava tão distraída que nem notou quando o ruído cessou.Só então despertou e desviou o rosto, sem saber onde pousar os olhos.– Não... não foi nada.Arthur guardou o secador. Ao voltar, o canto de sua boca ainda trazia aquela provocação preguiçosa.– E então, Sra. Vasconcelos? Aprova o rosto do seu marido?A luz acentuava os traços marcantes de Arthur, mas pouco revelava do que se escondia por trás daquele olhar profundo.Larissa nunca conseguia decifrá-lo por inteiro.Ainda bem que conhecia o próprio lugar e não alimentava fantasias. Entrou na brincadeira com um sorriso:– Não estou dizendo novidade nenhuma. O Sr. Arthur sempre foi famoso pela beleza. O tipo de homem que faz qualquer mulher suspirar.Arthur estudou na Universidade de Aurimare.No primeiro ano de Larissa, voltou ao campus para u
Ícaro revirou os olhos, sobretudo para Arthur.Para um homem que enfim provava o gosto de ter o amor ao alcance das mãos, ele estava satisfeito demais consigo mesmo.Elias pousou a taça e observou Arthur por alguns instantes.— No fim, você conseguiu o que sempre quis.Ícaro abriu um sorriso de quem conhecia bem aquela história.— Essa eu sei. Certo alguém esperou por isso durante, no mínimo, dez anos.O rosto luminoso de Larissa voltou à mente de Arthur, junto daquele sorriso que misturava doçura e uma vivacidade difícil de esquecer.De repente, continuar ali perdeu a graça.Ele consultou o relógio e se levantou.— Já está tarde. Vou para casa antes que Lari espere demais.Ícaro parou com a taça a meio caminho da boca.— Mas acabamos de abrir o vinho.Arthur ajeitou o paletó, embora nem houvesse o que corrigir, e ergueu uma sobrancelha.— É o mínimo que se espera de um homem casado.Ícaro fez uma careta. Aquilo já era ostentação conjugal.Elias riu baixo.— Vá. Nós ficamos mais um pou
— Da próxima vez que estiver em público, não diga que é meu irmão. Eu teria vergonha.Arthur encerrou o assunto e saiu sem pressa, com a tranquilidade arrogante de quem não precisava olhar para trás.Ícaro tentou se controlar. Tentou mesmo.Mas o canto de sua boca começou a tremer, traindo a vontade de rir. Até Elias, sempre tão comedido, deixou um sorriso escapar.Antes de seguirem Arthur, os dois ainda lançaram a Ciro um último olhar, sem pena alguma.A humilhação queimou no rosto de Ciro como uma sequência de tapas.Assim que a porta se fechou, ele explodiu.O punho atingiu o tampo de mármore com força, e seus olhos ganharam uma sombra feroz.Ele descobriria o que existia entre Arthur e Larissa.E, no instante em que encontrasse uma brecha, arrancaria Arthur daquele lugar no topo e o pisaria sem piedade....Os três seguiram para o reservado mais exclusivo do Clube Altitude.Um garçom já os esperava com uma garrafa de safra rara aberta. Serviu o vinho em três taças e as entregou uma
A voz provocadora demorou alguns segundos para atravessar o torpor de Larissa.— Arthur, seu mano acabou de brincar comigo. Agora é a sua vez?Do outro lado da linha estava Arthur Vasconcelos, o irmão mais velho de Ciro.Quando ela começou a namorar Ciro, Arthur nunca lhe ofereceu um olhar gentil.—
— Sr. Ciro, hoje é o dia de você e a Larissa assinarem no cartório. Você não vai mesmo? Você simplesmente não apareceu. Não tem medo de ela explodir?— Explodir? Todo mundo sabe que a Larissa vive grudada no Sr. Ciro, igual carrapato. Mesmo se ela descobrir que ele faltou por causa da Mel, ela engol
A provocação de Arthur acendeu de imediato a timidez de Larissa. Do pescoço ao rosto, tudo nela ficou vermelho. Mordendo o lábio, ela ergueu-se na ponta dos pés e beijou a bochecha dele com delicadeza, como uma borboleta tocando uma pétala.— Assim está bom?Com o beijo, já tentou se afastar.Arthur
As palavras de Larissa deixaram Samuel incrédulo. Ele confirmou mais de uma vez e, ao ter certeza, riu com ainda mais entusiasmo, a alegria evidente.— Ótimo. Casaram, então está decidido. Venham me ver com Arthur.— Claro, vovô. — Respondeu ela, com sorriso doce.Assim que desligou, a porta do quar







