ログインPatrícia soltou um suspiro.— Ele não mudou nem um pouco. Continua fugindo de mim sempre que pode.Tatiane não pôde deixar de comparar Felipe a Cristiano. Os dois eram completamente diferentes. Noemi praticamente caíra no colo de Cristiano, sem que ele precisasse fazer esforço algum. Talvez isso tivesse relação com o ambiente em que cada um deles fora criado.— Duvido que ele passe o feriado inteiro sem aparecer na sua casa.— Está bem. Que horas você chega, mais ou menos?— Meu voo sai daqui a dez minutos. Acho que ainda chego a tempo do jantar.— Sem problema. A gente espera você.— Combinado.As duas continuaram conversando por mais algum tempo.Patrícia pensara em contar a Tatiane o que descobrira sobre a família Rodrigues. Pelo que conseguira apurar, todos haviam saído daquela situação profundamente abalados e já não tinham força para interferir nas decisões de Felipe.Ele voltara a Porto Nobre principalmente porque Dante queria ter uma conversa séria com ele. Patrícia, porém, não
Cristiano era justamente o tipo de homem que dificilmente resistiria por muito tempo a uma investida persistente. Noemi, porém, nem precisara chegar a tanto. Antes mesmo que começasse a insistir de verdade, ele já havia aceitado ficar com ela por vontade própria.Cristiano deu um sorriso entre divertido e resignado.— Eu também tenho uma reputação a preservar. Depois vou conversar direito com ela. Não dá para sair contando tudo para você.— E qual é o problema? Eu não vou rir de você, mano.Os dois continuaram trocando provocações durante o caminho.Quando chegaram em casa, Mônica ficou tão feliz ao ver Tatiane que parecia não encontrá-la havia anos. Examinou-a dos pés à cabeça várias vezes e preparara um almoço farto para recebê-la.A família almoçou reunida, em um clima acolhedor e tranquilo.Depois da refeição, Tatiane voltou para o quarto a fim de descansar. Assim que se deitou, enviou uma mensagem a Henrique:[Quando vou buscar a Bia?]Já era madrugada em Nova York. Henrique prova
Henrique enviou outra mensagem:[Se alguma coisa estiver incomodando você, pode me dizer diretamente. Os problemas só podem ser resolvidos quando são colocados para fora.]Tatiane ficou encarando aquelas palavras tão lúcidas e racionais.Henrique era assim. A razão sempre falava mais alto do que a emoção. E, embora ela não pudesse negar que ele tinha razão, ainda havia dentro dela algo difícil de explicar.Ela respondeu:[Não existe nada específico me incomodando. Mas nós praticamente não construímos uma relação afetiva. Não dá para esperar que a intimidade apareça de uma hora para outra.]Henrique ligou imediatamente.Tatiane se assustou. Ficou olhando para a tela por alguns segundos antes de atender e levar o celular ao ouvido.A voz grave dele soou do outro lado da linha:— Você não sente nada por mim?Tatiane ficou imóvel ao ouvir a pergunta. Apertou o aparelho entre os dedos e, depois de alguns segundos em silêncio, rebateu:— O que você acha?Henrique soltou uma risada baixa.— V
— Mas não pense que, só porque decidi reconquistá-lo, você precisa perdoá-lo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Isso é problema meu, Tati. Não precisa se preocupar comigo.Patrícia conhecia bem demais o jeito de Tatiane.Tatiane sorriu e murmurou em concordância.Depois de se arrumar, seguiu para a empresa.Patrícia não foi com ela. Por intermédio de Leandro, descobriu que o voo de Felipe estava marcado para as três da tarde.Assim que chegou à empresa, Tatiane encontrou Leandro.— Por que a Patrícia quis saber de repente o horário do voo do Felipe?Tatiane lhe contou tudo, sem esconder nada.Leandro suspirou.— Acho que, se não for com o Felipe, ela provavelmente nunca vai querer se casar. Talvez seja melhor assim. Hoje, ele finalmente pode decidir o próprio destino. Agora só resta saber se ainda está disposto a aceitar a Patrícia. De qualquer forma, isso cabe aos dois.Tatiane assentiu.Os dois entraram juntos no prédio.Aquele era o último dia de Leandro na cidade. Com a pre
— Mas como vocês dois começaram a namorar naquela época?Tatiane nunca havia feito aquela pergunta. Até então, não parecia existir qualquer possibilidade de reconciliação entre Patrícia e Felipe. Além disso, já não via sentido em remexer no que havia ficado para trás.Patrícia se perdeu nas lembranças por alguns instantes antes de responder:— Foi uma história bem dramática. Eu me apaixonei pelo Felipe à primeira vista, no meu primeiro ano do ensino médio. Ele estava dois anos à minha frente e era praticamente uma lenda na escola. Tirava as melhores notas em todas as matérias, ano após ano. Além de inteligente, ainda era bonito. O problema é que era frio demais. Rejeitava todas as garotas que se aproximavam, fossem baixas, cheinhas, bonitas ou não. Não dava chance a nenhuma. Chegaram até a espalhar o boato de que ele gostava de homens.Ela sorriu de leve antes de continuar:— É claro que eu também fui rejeitada. Só que não aceitei aquilo de jeito nenhum. Eu era bonita, tinha um corpo b
Felipe segurou o pulso de Patrícia e afastou a mão dela. Sem desviar os olhos de seu rosto, falou com uma seriedade incomum:— Patrícia, você tem muitas opções melhores. Em algum momento, todo mundo precisa seguir em frente.Ela sustentou o olhar dele. Aos poucos, seus olhos se encheram de lágrimas, e sua respiração ficou mais pesada.— Se eu conseguisse seguir em frente, já estaria casada e com filhos a essa altura.Felipe soltou um suspiro.— Talvez você devesse mudar de ares. Não precisa continuar presa ao passado.— Felipe, você pretende passar o resto da vida sem se casar?Por mais que não quisesse admitir, Patrícia acompanhara discretamente a vida amorosa dele durante todos aqueles anos.Depois que terminaram, uma amiga de Karine se interessou por Felipe. Karine chegou a incentivá-la a se aproximar e a permanecer por perto. Assim, além de ajudar a amiga, poderia ficar de olho caso alguma mulher inesperada surgisse na vida dele. Mais tarde, porém, a família da garota enfrentou alg