LOGINHenrique encarou Felipe.— Eu só não gosto de perder tempo imaginando hipóteses.Felipe soltou uma risada fria e desviou o olhar.— Eu vou investigar isso até o fim. Esse tipo de coisa não vai acontecer de novo. Quanto à Tati, você não precisa se preocupar. Vá fazer o que precisa fazer.Henrique não respondeu.Voltou para o quarto.Tatiane já havia terminado de comer, e a empregada a ajudava a sair do banheiro. Henrique foi até elas em passos largos, inclinou-se e pegou Tatiane no colo.Levou-a até a cama, deitou-a com cuidado e puxou o cobertor sobre ela.— Descanse bem.Depois de organizar tudo, a empregada saiu do quarto.Henrique reduziu a luz do ambiente e se sentou no sofá, trabalhando no computador.O quarto mergulhou em silêncio.No dia seguinte, Mônica e Marcos chegaram cedo ao hospital.O médico estava examinando Tatiane.Do lado de fora do quarto, Henrique os advertiu:— Ela precisa de repouso agora. Não façam barulho.Marcos ficou rígido na mesma hora. Mônica sentiu um aper
Ao redor, buzinas estridentes e gritos se misturavam sem parar.Quando Tatiane acordou outra vez, a primeira coisa que sentiu foi o cheiro forte de desinfetante.Suas pálpebras tremeram antes de se abrirem devagar. Diante dela, havia apenas um teto branco demais, quase ofuscante.Ela levou alguns segundos para recuperar a consciência. A cabeça estava pesada, latejando, como se tivesse sido partida ao meio. Só depois de um bom tempo conseguiu se lembrar do que havia acontecido.Quando passavam pelo cruzamento, um caminhão avançara em alta velocidade contra o carro. Sua cabeça batera com força no vidro da porta, e ela perdera os sentidos logo em seguida.A porta do quarto se abriu.Henrique entrou. Aproximou-se da cama e, ao notar que Tatiane já estava acordada, falou em voz mais baixa:— Está sentindo alguma coisa?Tatiane olhou para o homem à sua frente. Sua voz saiu fraca.— Minha cabeça dói.— O médico disse que você sofreu uma pancada na cabeça. Dor e tontura são normais depois de u
Para quem via de fora, aquela festa de noivado parecia apenas grandiosa e luxuosa. As pessoas comuns só enxergavam o brilho da união entre duas famílias poderosas e não conseguiam deixar de invejar aquele mundo.Tatiane, porém, não prestava a menor atenção em nada disso.Sua rotina continuava igual. Todos os dias, levava Bia à escola e depois ia buscá-la. Quando não tinha nada para fazer, ficava em casa lendo ou passava na casa da família Carvalho para fazer companhia ao senhor Marcelo, que gostava de caligrafia artística, e jogar algumas partidas de xadrez com ele.Seu estado não parecia diferente do habitual. Toda a agitação lá fora era como se não tivesse nenhuma relação com ela.De vez em quando, Noemi ia ao Residencial Aurora para lhe fazer companhia. Quando chegava a hora, as duas saíam juntas para buscar as crianças na escola.Noemi também nunca mencionava o noivado de Wesley e Karine. Tanto ela quanto o irmão tinham recebido convite, e Henrique certamente também recebera. Mas,
Perto das onze da noite, Henrique terminou o que precisava fazer e voltou para o quarto.Tatiane ainda não tinha dormido. Como se não tivesse ouvido nenhum movimento, continuava virando as páginas do livro em suas mãos.Henrique se aproximou, sentou-se à beira da cama e tirou o livro dela.Só então Tatiane levantou os olhos para o homem à sua frente.— Tão tarde e ainda acordada. Estava me esperando?— Você se acha demais.Henrique soltou uma risada baixa. Em seguida, segurou a mão de Tatiane, e a voz dele ganhou um tom mais rouco.— Se não consegue dormir, a gente pode fazer outra coisa.Tatiane puxou a mão de volta e se preparou para deitar. Antes que conseguisse, porém, Henrique levantou de uma vez o cobertor que a cobria.Tatiane se assustou.No segundo seguinte, ele a pegou no colo.Com os olhos arregalados, ela encarou o homem e perguntou em voz baixa:— Henrique, o que você está fazendo?Henrique a levou em direção à porta.— Não vou atrapalhar o sono da Bia.Bia continuava deit
O noivado de Karine e Wesley.Tatiane não deu muita importância. Largou o convite sobre a mesa de centro, pegou o livro de novo e continuou lendo.Henrique chegou em casa às sete. Nos últimos dias, quase sempre vinha voltando mais cedo e, na maioria das vezes, jantava em casa.Durante o jantar, ele reparou nos pratos de frutos do mar sobre a mesa e perguntou:— Quem mandou isso?Tatiane colocou um bolinho de lula no prato de Bia e respondeu:— Meu irmão.— Seu irmão?— Meu irmão biológico.Bia entrou na conversa na mesma hora:— O titio também mandou um monte de comida gostosa para mim. E presentes também.Henrique sorriu, olhando para ela com carinho.— Então, quando encontrar o titio, você precisa agradecer direitinho.— Mas eu nem sei quando vou ver o titio. A mamãe disse que ele vive muito ocupado.— Então você espera o titio ter um tempinho para encontrar você.Bia assentiu. De repente, franziu as sobrancelhinhas, virou o rosto para Tatiane e perguntou:— Mamãe, então eu tenho doi
Quando Tatiane voltou ao Residencial Aurora, já eram oito e meia da noite.Assim que entrou, ouviu a voz alegre de Bia:— Mamãe voltou.Henrique olhou para ela. Tatiane parecia bastante tranquila.— Você voltou.Tatiane olhou para ele e respondeu apenas com um leve murmúrio.A babá trouxe o remédio já morno. Tatiane bebeu tudo. Mesmo depois de tantos dias tomando aquele chá de ervas, ainda sentia dificuldade para engolir.Bia se apressou em entregar uma bala à mãe.Quanto à ida de Tatiane à casa da família Carvalho naquele dia, Henrique não fez nenhuma pergunta.Na semana seguinte, Tatiane continuou morando no Residencial Aurora. Tomava os remédios nos horários certos, seguia o tratamento, levava e buscava Bia na escola. Quando não tinha nada para fazer, ficava em casa lendo, tentando, pouco a pouco, aceitar as mudanças e as notícias do mundo lá fora.Naquele dia, chegou mais uma remessa de encomendas.Dessa vez, era um lote de frutos do mar importados e fresquíssimos. Desde que haviam






