MasukEnquanto isso.Selena saiu da sala de jantar com a postura reta e os passos medidos. Sua expressão havia voltado à frieza habitual, como se tudo o que tinha acontecido à mesa não significasse nada para ela.Embora, no fundo, a irritação fervesse, afiada e inquieta, diante do comportamento cada vez mais desafiador de Eli.Na noite anterior, quando tentou falar com ela, a garota havia trancado a porta do quarto de propósito.Droga.Seu aviso tinha sido claro o bastante. Mas, pelo visto, um aviso não era suficiente. Ela teria de fazer mais. Algo que lembrasse Eli exatamente quem estava no controle.— Eli precisa ser colocada em seu devido lugar. — Murmurou para si mesma.Antes de deixar a área por completo, Selena parou ao lado de uma criada que carregava uma bandeja.— Você. — Chamou, sem se virar completamente.A criada se aproximou de imediato.— Sim, senhora?— Quero o café da manhã no meu quarto. — Disse Selena, com um tom frio e exigente. — Prepare uma omelete de claras,
— Você não precisa ir à escola hoje.Aquelas palavras a fizeram congelar no lugar. Eli olhou para ele, com a confusão tomando conta de seus olhos.— Mas... Por quê?A declaração de Daven provocou reações diferentes ao redor da mesa. A maioria pareceu surpresa e curiosa.— Eli não pode ir à escola? — Repetiu Riana. — O que está acontecendo?Eli apertou a alça da bolsa com mais força.— Eu... Fiz alguma coisa errada? — Perguntou, com cautela.Daven balançou a cabeça no mesmo instante. Ele se levantou e se aproximou dela, mantendo uma distância respeitosa para que Eli não se sentisse pressionada.— Não é isso. — Disse, com calma. — Por que você não se senta de novo? Parece que ainda não terminou seu café da manhã.Eli engoliu em seco, nervosa. Não ousava discutir com ele, mas não conseguia entender por que Daven estava pedindo que ela ficasse em casa. Algo ruim havia acontecido? Ou aquilo era por causa do comportamento de sua mãe? Daven tinha decidido impedi-la de ir à escola por
A ligação terminou.Selena se virou novamente para a sala de jantar. Lá dentro, ninguém parecia se importar com o fato de ela ter saído. Pouco antes, aquela indiferença a havia deixado furiosa.Mas agora, depois daquele telefonema, sua confiança havia retornado.Ela caminhou de volta até seu lugar. Seu olhar pousou em Eli, que conversava de maneira confortável com Althea e Lydia.Aquela garota está mesmo se aproveitando da situação, pensou Selena, amarga. E está esquecendo quem a trouxe até aqui.— Eli.Ao ouvir o chamado, a menina se virou imediatamente.Poucos instantes antes, Eli estava sorrindo, com uma expressão leve e relaxada. Mas, no momento em que encarou a mãe, a tensão voltou. Era como se a simples presença de Selena pesasse sobre ela.— Sim, mãe? — Respondeu, baixinho.— Termine seu café da manhã e volte para o quarto. — Disse Selena. — Preciso falar com você.Eli engoliu em seco, nervosa, então assentiu.Sem dizer mais nada, Selena se virou e saiu da sala de jan
Eli realmente não sabia o que dizer. As palavras de sua mãe haviam transformado aquela atmosfera acolhedora, amorosa e tranquila em algo pesado e desconfortável.Ela ainda estava de pé ao lado de Althea, com os dedos agarrados à barra da própria blusa. O calor daquele abraço ainda parecia envolvê-la quando a voz de Selena ecoou outra vez.— Não ouviu o que sua mãe disse? — Selena abriu um sorriso discreto, cheio de deboche.Ninguém precisava perguntar o quanto ela estava irritada. Ver Eli escapar cada vez mais de seu controle fazia sua raiva queimar por dentro.— Você está mesmo começando a esquecer quem é, não está? — Perguntou Selena, sem emoção, com um tom baixo, mas cortante.Ela entrou na sala de jantar, os saltos estalando contra o piso de mármore.— Ou já esqueceu quem trouxe você para esta casa?Eli engoliu em seco. Seus ombros ficaram rígidos.— Mãe. — Disse ela, baixinho.Selena parou bem diante dela. Seu olhar percorreu Eli lentamente da cabeça aos pés, frio, afiado
Frutas frescas haviam sido cuidadosamente colocadas por cima. Fatias vivas de morango, alguns mirtilos e pequenos pedaços de banana formavam um contraste colorido e convidativo. O xarope de bordo tinha sido derramado devagar sobre a pilha, brilhando enquanto cobria a superfície, escorrendo um pouco pelas laterais e se acumulando na base do prato.Um aroma leve e adocicado chegou até Althea quando ela se aproximou. Não parecia apenas delicioso. Aquilo tinha sido feito com cuidado. Com esforço. E havia algo que se destacava acima de qualquer outra coisa: aquelas panquecas tinham sido feitas especialmente para fazê-la feliz.Althea ergueu os olhos devagar para Eli e manteve o olhar nela por tempo demais.O sorriso no rosto de Eli começou a desaparecer. As mãos dela, antes unidas com delicadeza diante do corpo, se apertaram uma contra a outra.— Eu... Fiz alguma coisa errada? — Perguntou ela, baixinho.Althea continuou sem dizer nada.Diante daquele silêncio, Eli abaixou a cabeça. O
— Devo colocar o açúcar? — Perguntou Eli, com a voz iluminada pela curiosidade.— Pode colocar, Srta. Eli. — Respondeu a governanta chefe, oferecendo a ela um pequeno sorriso de incentivo. — Só um pouquinho de cada vez, e mexa devagar.O rosto de Eli se iluminou.— Está bem.Seus movimentos ainda eram um pouco rígidos, mas ela continuou mexendo a massa com cuidado. De vez em quando, perguntava sobre as medidas ou se estava fazendo tudo certo. Pela primeira vez em muito tempo, era bom acordar cedo e ter algo importante para fazer naquela casa.A manhã na residência Miller começou de um jeito muito mais tranquilo do que nos últimos dias.A luz do sol entrava pelas grandes janelas da sala de jantar, espalhando um brilho quente sobre a mesa comprida, que já estava perfeitamente posta. O aroma de café fresco e pão tostado preenchia o ar, criando uma atmosfera viva, confortável, quase como se a própria casa finalmente pudesse respirar de novo.Um a um, os membros da família começaram






