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Capítulo 6

Author: Chama Lunar
Daniel já esperava por aquilo. Não desviou o olhar da esposa.

— Letícia, hoje você é a mulher mais rica de Porto Dourado. Mesmo numa estimativa conservadora, seu patrimônio passa dos oitenta bilhões. Eu não vou ser absurdo a ponto de pedir metade, porque não fui eu quem ganhou esse dinheiro. Mas, nesses dezesseis anos, você me enganou. Cem milhões por ano, como indenização por dano moral. Dezesseis anos dão um bilhão e seiscentos milhões. Não acho nenhum exagero.

Letícia ficou rígida.

Ela encarou Daniel por alguns segundos, tentando encontrar no rosto dele algum sinal de blefe, hesitação ou impulso. Não encontrou.

A conclusão veio fria: o homem à sua frente parecia, de repente, um completo estranho.

Aquele marido que dormira ao seu lado por dezesseis anos nunca lhe parecera tão distante.

Daniel, no entanto, interpretou o silêncio dela como recusa em pagar. Soltou uma risada seca.

— Letícia, foi só falar em dinheiro que você mudou. Pelo menos isso me fez enxergar outro lado seu. Um lado bem feio. Se acha que eu estou atrás da sua fortuna, então esquece. Eu abro mão desse dinheiro. Vamos nos divorciar agora.

— Você...

Letícia, de fato, tinha pensado que aquele pedido de um bilhão e seiscentos milhões fosse apenas uma provocação. Jamais aceitaria uma exigência daquelas e já estava pronta para colocá-lo em seu devido lugar.

Mas, quando Daniel abriu mão da indenização e ainda assim insistiu no divórcio, ela ficou sem resposta.

— Letícia, você não admite a traição, não quer me indenizar e também não aceita o divórcio. Afinal, o que você quer? Acha que me tem na palma da mão? Pois não tem.

A voz dele endureceu ainda mais.

— Daniel, vou repetir pela última vez. Eu não traí você. Não enganei você. Se continuar me caluniando, me difamando e atingindo a minha reputação, eu posso processar você. E não pense que, por sermos marido e mulher, vou simplesmente deixar passar. Posso fazer você pagar por isso.

Depois da advertência, Letícia mudou de tom. A voz dela ficou mais baixa, quase conciliadora.

— Dan, chega disso. Volte para casa comigo. Eu preciso de você. As crianças precisam de você. A nossa família precisa ainda mais.

Se ela não tivesse mencionado as crianças, talvez Daniel ainda conseguisse engolir a raiva.

Mas aquelas crianças também não eram dele. Ele não tinha obrigação nenhuma de cuidar das três filhas de outro homem.

Ainda assim, Daniel não era homem de fazer escândalo. Queria resolver tudo da maneira mais fria possível. Ao ouvir vozes no corredor, do lado de fora, baixou o tom.

— Letícia, eu já te mostrei provas claras o bastante. Como você consegue fingir que não viu nada? Vou repetir: as crianças não são minhas.

— Você não tem mais jeito mesmo! Eu vim te buscar e você se recusa a voltar? Então não volte nunca mais. Fique aí, afundando sozinho!

Letícia se decepcionou por completo. Virou as costas e foi embora.

Daniel ficou parado junto à janela. Dali, viu o carro de luxo da esposa estacionado lá embaixo.

Ela esperou cerca de meia hora.

Era óbvio que ainda lhe dava uma chance de ceder.

"Você me traiu. Teve três filhas de outro homem. Pisoteou todo o amor que eu tinha por você.

Letícia, o que você fez comigo não se faz."

Daniel fechou as cortinas e voltou para a televisão. Sem perceber, acabou adormecendo.

Quando acordou na manhã seguinte, encontrou partes do travesseiro frias e úmidas.

Eram lágrimas.

"Droga. Só porque Letícia apareceu ontem à noite, eu desabei desse jeito?"

Daniel sempre se considerara um homem forte. Mas, quando o sono afrouxara a última defesa de sua mente, a fragilidade veio em silêncio. Sem perceber, ele tinha chorado até molhar o travesseiro.

Depois de passar um bom tempo tomado por aquela melancolia, deixou o hotel e foi até a casa dos sogros. Parou diante da entrada por longos segundos. No fim, empurrou a porta e entrou.

A casa também era uma mansão. Antiga, construída havia muitos anos, mas cercada por um ambiente excelente. Quem morava naquele condomínio ou era alto funcionário aposentado, ou antigo nome de peso no mundo dos negócios. Em poucas palavras, gente rica, influente, ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Ao entrar, Daniel viu o sogro, Henrique Teixeira, jogando xadrez com um velho conhecido, um ex-dirigente público aposentado.

Daniel cumprimentou os dois. Depois de perguntar, soube que a sogra não estava em casa. Tinha saído para visitar antigas amigas e manter aqueles contatos de sempre.

A partida de Henrique já estava na reta final. Ele se defendia como podia, mas a derrota parecia desenhada no tabuleiro. Então lançou a Daniel um pedido de socorro silencioso.

Com algumas dicas discretas do genro, Henrique conseguiu, a duras penas, arrancar um empate.

O velho conhecido ficou inconformado. Afinal, tinha uma posição excelente e deixara a vantagem escapar. Olhou para Daniel e reclamou:

— Rick, eu estava com a partida ganha, e você ainda conseguiu escapar dessa. Não aceito, não. Vamos jogar outra. Mas vocês dois, sogro e genro, sem essa de ficar trocando olhares por baixo dos panos.

— Pai, vou ficar um pouco no escritório. Quando o senhor terminar a partida, preciso conversar com o senhor sobre uma coisa.

Daniel percebeu que o outro já estava irritado. Depois que o sogro assentiu, foi primeiro para o escritório.

Cerca de meia hora depois, Henrique chamou Daniel. Os dois acompanharam o antigo dirigente até a saída e, ao voltarem para a sala, Henrique pediu que o genro se sentasse para jogar uma partida com ele.

Henrique não demorou a perceber que Daniel evitava qualquer avanço mais agressivo e forçava sucessivas trocas de peças, claramente jogando para o empate. Sem paciência para prolongar aquilo, encerrou a partida às pressas.

Então viu Daniel dispensar também a empregada, deixando apenas os dois na casa.

— Que assunto é esse, tão misterioso assim? Fale logo.

Daniel perguntou primeiro sobre a saúde do sogro. Observou sua aparência, seu fôlego, seu estado geral. Henrique ainda parecia firme. O que ele tinha a dizer talvez o abalasse, mas não a ponto de provocar algo pior.

Só então Daniel tirou um laudo de DNA e o entregou ao sogro.

Henrique deu apenas uma olhada.

As sobrancelhas, antes relaxadas, se juntaram de imediato.

Uma inquietação vaga, porém intensa, começou a se formar dentro dele.

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