LOGINSofia tomou a iniciativa de perguntar:— Afinal, em que você precisa da minha ajuda?— É um compromisso social.Ela ficou um pouco surpresa.— Quer que eu acompanhe você para causar uma boa impressão?Henrique deu um sorriso amargo.— Acho que é um pouco mais complicado do que isso.Sofia inclinou a cabeça, cada vez mais curiosa.— Que compromisso é esse?— Primeiro, diga se aceita.Ela reclamou, contrariada:— Mas você nem contou do que se trata...Sofia não entendia por que Henrique insistia em tanto mistério, ainda mais sabendo o quanto ela era curiosa.Ele entrou no estacionamento subterrâneo de um shopping e parou o carro.— Antes, preciso comprar uma roupa para você.Assim que desceu, Sofia cruzou os braços de propósito.— Eu ainda nem aceitei! Mas, se a roupa for bonita o bastante, talvez eu faça esse sacrifício e vá com você desta vez.Henrique caiu na risada.Sofia imaginava que fosse algum coquetel de negócios, parecido com tantos outros que já tinha frequentado.Além disso,
Sofia virou o rosto e encarou Henrique.— Eu não amo ele!Era raro ela perder a paciência com Henrique.— Desculpa...Os dois pediram desculpas praticamente ao mesmo tempo.O clima dentro do carro ficou pesado outra vez. Sofia respirou fundo e contou tudo sobre o estado de Miguel.— Ao que tudo indica, ele está em coma psicogênico, e é bem provável que isso tenha alguma relação comigo. Talvez eu não me importe com o que aconteça com Miguel, mas não consigo ver o avô dele passando os dias angustiado por causa disso.— Você realmente consegue não se importar se ele vai viver ou morrer?A frieza na voz de Henrique apertou o coração dela.— O avô de Miguel é só uma desculpa que você encontrou para justificar o que está fazendo.Sofia balançou a cabeça com força.— Não é isso... Se fosse você naquela cama, naquele estado, eu também viria visitar você todos os dias.Ela sustentou o olhar de Henrique.Para Sofia, aquele exemplo já deixava tudo bem claro.O Lexus branco diminuiu a velocidade
O médico não trabalhava para a família Castro. Era um profissional indicado por Maurício.Sofia desconfiava que Miguel pudesse ter combinado tudo com os outros médicos para enganar ela. Por isso, pediu que o amigo de Maurício fosse até a mansão e fizesse uma nova avaliação.— As pupilas quase não reagem à luz, mas todos os sinais vitais estão normais. Levando em conta o quadro geral, ele provavelmente apresenta uma alteração do nível de consciência. Mais especificamente, um coma psicogênico.Sofia ficou paralisada ao ouvir aquilo.“Então Miguel não estava fingindo?”— Há pouco, o paciente teve uma reação semelhante à de alguém enfrentando um pesadelo. É possível que algum estímulo tenha atingido o subconsciente dele. Sra. Sofia, infelizmente, a medicina ainda não tem um protocolo de tratamento comprovadamente eficaz para esse tipo de coma provocado por fatores psicológicos. Sinto muito por não poder fazer mais.Sofia agradeceu e acompanhou o médico até a saída da Mansão dos Castro.Q
Sofia soltou uma risada.— Eu realmente não esperava que você tivesse ideias tão fora da realidade.— Isso não é estar fora da realidade. Isso se chama ter alma de criança. Você nunca assistiu a A Bela Adormecida quando era pequena?Ao ouvir Maurício, Sofia baixou os olhos, e seu olhar caiu sobre Miguel.Miguel continuava inconsciente. Parecia mesmo a Bela Adormecida.Aquele rosto estava muito mais maduro do que o adolescente da unidade socioeducativa em suas lembranças.Ainda assim, a base dos traços não tinha mudado. Dava para reconhecer com um só olhar.Sofia admitia que tinha mudado muito desde o ensino fundamental.Até ela mesma tinha dificuldade de reconhecer as próprias fotos antigas.Mas, mesmo assim, Miguel não deveria ter confundido Isabela com ela.Enquanto observava o rosto adormecido dele, o coração de Sofia ficou cheio de sentimentos difíceis de explicar.— Me deixe em paz. E deixe você mesmo em paz também...O amor entre ela e Miguel parecia condenado a acontecer sempre
Naquele dia, à beira-mar, Miguel e Sofia pareciam ter esclarecido os mal-entendidos do passado.No entanto, justamente por isso, ela achava ainda mais impossível perdoar Miguel.Sofia preferia que Miguel tivesse realmente amado Isabela. Não queria que toda a preferência dele por Isabela tivesse acontecido apenas porque ele confundiu Isabela com ela.Aquilo dava a ela a sensação de que Miguel nem sequer tinha amado Camila de verdade, a garota da unidade socioeducativa.Caso contrário, como teria confundido uma pessoa com outra?Além disso, daquela forma, ela sentia ainda mais que todo o sofrimento que havia suportado no passado, todas as feridas abertas em seu coração, eram ridículos demais.Especialmente agora, quando os membros da família Castro, que antes nunca deram importância a ela, esperavam que ela voltasse a casar com Miguel.Então, o que Sofia era?Uma ferramenta conveniente?A cabeça dela começou a latejar.— Eu não vou casar de novo com você.Diante de Miguel inconsciente,
Os olhos de Sofia se arregalaram.Valdemar percebeu Sofia parada à porta do quarto.— Sofia, você chegou... Entre.Ele fez um gesto, chamando Sofia para perto.O sorriso no rosto de Valdemar continuava gentil e afetuoso, mas Sofia achou que ele estava mais magro e ainda mais envelhecido.Ela sentiu pena dele.— Vovô... você não tem comido direito ultimamente?Ao ver Sofia entrar, o sorriso nos olhos de Valdemar ficou ainda mais intenso.— Tenho comido, mas nada agrada meu paladar. Nada é tão gostoso quanto a comida que você faz.— Então, da próxima vez, eu venho cozinhar para você.Ao ouvir aquilo, Valdemar sorriu ainda mais feliz.— Você continua sendo a mais obediente. Bem diferente de Miguel, que só sabe me deixar preocupado.Nesse momento, Sofia já tinha chegado ao lado da cama e viu claramente que a pessoa deitada ali, recebendo soro na veia, era Miguel.Ela ficou paralisada.— O que aconteceu com Miguel?Em tese, quando Miguel foi levado ao hospital em Belmora, deveria ter recebi







