Imerso no universo de 'Alice no País das Maravilhas', percebo que o livro de Lewis Carroll tem uma profundidade psicológica e linguística que as adaptações em desenho raramente capturam. Enquanto o texto brinca com trocadilhos e lógica absurda, criando camadas de interpretação, as versões animadas tendem a simplificar a narrativa para o público infantil, focando no visual e no ritmo acelerado. A Alice do livro questiona tudo com uma curiosidade filosófica, enquanto nos desenhos ela muitas vezes parece apenas reagir aos eventos.
Além disso, o livro permite que cada leitor imagine o País das Maravilhas à sua maneira, enquanto os desenhos impõem uma visualização única. A versão escrita também tem um humor mais ácido e satírico, especialmente nas críticas à sociedade vitoriana, que se perdem nas adaptações mais leves.
Alice no País das Maravilhas' sempre me fez refletir sobre como a infância é uma jornada de descobertas e confusões. A história mostra Alice enfrentando um mundo onde as regras não fazem sentido, e isso me lembra como é crescer: tudo parece absurdo até que você encontra seu próprio caminho. O Chapeleiro Maluco e a Rainha de Copas representam aquelas figuras autoritárias ou excêntricas que nos assustam ou confundem na vida real, mas no final, Alice aprende a questionar e a se afirmar.
A mensagem que mais me marcou foi a ideia de que o 'nonsense' tem seu valor. Nem tudo precisa ser lógico para ser válido. Quando Alice diz 'Não acredito em impossíveis', ela encapsula a coragem de enfrentar o desconhecido. É um convite para abraçar a curiosidade, mesmo quando o mundo parece de cabeça para baixo.