Caminhar pelas ruas do Rio em busca de sebos é uma das minhas aventuras favoritas. O 'Seara' na Cinelândia é um clássico, com prateleiras abarrotadas de livros usados em ótimo estado e preços que cabem no bolso. Já encontrei edições raras de Machado de Assis lá, quase intactas! Outro que merece destaque é o 'Baratos da Ribeiro', perto da UFRJ, onde estudantes e professores garimpanos obras acadêmicas e literárias por mixaria. O clima é de comunidade, sempre tem alguém recomendando algo novo.
E não posso deixar de citar o 'Sebo do Messias' no Flamengo, um tesouro escondido com seção inteira dedicada a autores brasileiros. O dono conhece cada livro como se fosse filho — ele até me ajudou a montar uma coleção de crônicas da Clarice Lispector por menos de R$100. Dica bônus: vá de terça; é dia de promoção relâmpago!
Lembro de quando descobri o Sebo Santana pela primeira vez, escondido numa rua estreita do centro. A fachada desbotada e aquela placa de madeira rachada contavam histórias antes mesmo de eu entrar. O dono, um senhor de óculos grossos, me explicou que o lugar existe desde os anos 1950, começando como um pequeno armazém de livros usados que seu avô montou.
Dentro, as prateleiras de madeira escura rangem sob o peso de edições esgotadas, livros com dedicatórias de décadas passadas e até alguns manuscritos amarelados. Não é só o tempo que faz do Santana especial, mas a maneira como cada volume parece ter sido cuidadosamente selecionado – não é um amontoado de livros velhos, e sim uma curadoria afetiva. Ainda que outros sebos mais novos tenham surgido, nenhum consegue replicar a aura de estar folheando a história literária da cidade como ali.