David Lynch é um mestre em esconder detalhes surrealistas em 'Veludo Azul', e uma das coisas mais fascinantes que reparei depois de várias assistidas é como a cena do besouro no início do filme parece desconexa, mas na verdade simboliza a podridão escondida sob a superfície idílica de Lumberton. O besouro devorando outro inseto é um prenúncio da violência e perversão que Jeffrey descobre.
Outro detalhe sutil é a música 'Blue Velvet' tocando em loop em várias cenas-chave, quase como um leitmotiv para a dualidade do filme. A canção romântica contrasta brutalmente com o terror que Frank Booth representa, e Lynch usa isso para criar uma dissonância incrível. Acho que essa é a genialidade dele: nada é por acaso, até o azul do veludo tem múltiplas camadas de significado.