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Capítulo 3

Autor: Liora Z
Prendi a respiração enquanto observava o zíper descer centímetro por centímetro.

Meus olhos se arregalaram.

Eu tinha vinte e quatro anos. Nunca tinha visto uma coisa daquelas.

Achei que já tinha visto de tudo. Contos eróticos, galerias da dark web... o que era que eu ainda não tinha visto?

Mas, quando aquilo realmente apareceu na tela, soltei um grito e joguei o celular em cima da cama.

Ele caiu sobre o colchão com um baque.

— Senhora?!

A voz desesperada de Cassius veio imediatamente do outro lado.

— Senhora, o que houve? Eu assustei você? Eu paro...

Cobri meu rosto em chamas, ofegante.

Meu Deus.

Meu Deus, meu Deus, meu Deus...

Aquilo era de verdade?

Aquilo sequer era humano?

Respirei fundo três vezes, mas meu rosto continuava pegando fogo. No espelho, eu estava vermelha como um pimentão.

Não.

Eu jamais podia deixar que ele percebesse que eu tinha ficado abalada.

— Senhora? — Agora ele parecia completamente aflito. — Diga alguma coisa. Eu fiz alguma coisa errada?

Peguei o celular e desliguei imediatamente a chamada de vídeo.

Reunindo toda a frieza que consegui, digitei:

[Você nem terminou a puberdade? Os namorados dos livros que eu leio têm todos trinta centímetros.]

Silêncio absoluto por cinco segundos.

Então apareceu uma mensagem de voz.

Toquei para ouvir.

— ...Senhora...

Sua voz soava magoada, quase suplicante.

— Esses livros não são reais.

— Os meus vinte centímetros já são... já são muito bons.

Ele fez uma pausa, baixando ainda mais a voz.

— Pelo seu corpo, na verdade eu estava preocupado que você não aguentasse.

Meu rosto incendiou outra vez.

Aquele homem...

O Chefe que aterrorizava executivos da máfia e decidia a vida ou a morte de alguém com uma única palavra.

Quando falava dessas coisas comigo...

Parecia... preocupado?

Balancei a cabeça para afastar aquela estranha sensação que fazia meu coração bater mais rápido.

Não.

Eu não ia aliviar para ele.

Ia fazê-lo pagar dez vezes pelo jeito como me humilhou hoje.

Respirei fundo e comecei a digitar furiosamente.

[Definitivamente eu não aguentaria. Você é velho demais.]

[Quero um mais rosinha.]

[Talvez eu devesse arrumar um garotinho para brincar.]

A conversa mergulhou em um silêncio absoluto.

Fiquei olhando para a tela, com o coração acelerado.

Será que eu tinha exagerado?

Dizer aquilo para um homem de trinta anos... ainda mais um chefão da máfia.

No segundo seguinte, solicitações de chamada de vídeo começaram a inundar minha tela.

Uma.

Duas.

Três.

Recusei todas.

Logo depois vieram as mensagens de voz.

Abri a primeira.

— Senhora...

A voz de Cassius tremia.

Tremia de verdade.

— Qualquer cor que você quiser, eu posso conseguir. Qualquer formato que você quiser... eu faço cirurgia.

— Amanhã mesmo.

— Trago qualquer médico, de qualquer país, de avião, se for preciso.

Segunda mensagem de voz.

— Você não pode me abandonar, Senhora. Tirando o fato de eu ser um pouco mais velho, todo o resto eu posso mudar.

— Não posso recuperar minha juventude, mas... mas posso cuidar de você melhor do que esses garotinhos.

— Tudo o que eles puderem lhe dar, eu dou dez vezes mais. Cem vezes mais.

Na terceira mensagem de voz, ele estava praticamente sem fôlego.

— Senhora... por favor. Não procure outra pessoa.

— Eu faço qualquer coisa que você mandar.

Encostei na cabeceira da cama e fiquei olhando para o teto, enquanto um sorriso se espalhava pelo meu rosto.

Era bom pra caralho.

O homem que naquela tarde tinha me tratado como um cachorro e ameaçado me mandar para uma arena de luta...

Agora estava disposto até a fazer uma cirurgia porque tinha medo de eu não gostar do tamanho dele.

Mas a realidade me puxou de volta.

Eu precisava entregar aquele rascunho de restauração no dia seguinte.

O mesmo que Cassius chamou de lixo.

Eu teria que passar a noite inteira refazendo tudo.

O sorriso desapareceu do meu rosto.

Respondi:

[Depende de como você se comportar. Estou ocupada.]

Ele respondeu na mesma hora.

— O que aconteceu, Senhora? Posso ajudar? Faço qualquer coisa.

Mordi o lábio.

Uma ideia começou a tomar forma.

Essa era a minha oportunidade.

[Passei três noites em claro restaurando uma pintura. Aí um desgraçado chamou meu trabalho de lixo na frente de todo mundo hoje. Agora vou ter que fazer tudo de novo.]

A respiração dele mudou imediatamente.

— ...Quem foi esse filho da puta cego?

Sua voz ficou gelada.

Uma fúria pura e sem disfarces.

— Quem disse isso? Senhora, me passe o endereço. Estou indo para aí com uma arma agora mesmo.

— Vou fazê-lo se ajoelhar e pedir desculpas para você até estourar a cabeça dele.

Desliguei a tela e caí na risada.

Ele estava mesmo tentando me encontrar pessoalmente?

Mal sabia ele quem era o desgraçado que prometia matar...

Era ele mesmo.

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    Empurrei Cassius para longe e me atrapalhei toda para pegar o celular.Na tela aparecia:[Mãe]Cassius interrompeu imediatamente o beijo intenso, mas suas mãos continuaram firmemente presas à minha cintura.— Não diga uma palavra. — Lancei-lhe um olhar fulminante, minha voz ainda trêmula.As orelhas de Cassius estavam completamente vermelhas, e seus olhos ainda ardiam por causa do beijo.Com a voz rouca, ele respondeu:— Como a minha Senhora ordenar.Atendi a ligação.— Aria, e então? — Minha mãe parecia animadíssima. — O Julian é um ótimo rapaz, não é?— Ele é... legal. — Fiz o possível para soar natural.— Que maravilha! — Ela continuou empolgada. — Depois que você se casar com ele, nunca mais vai precisar tocar em dinheiro sujo da máfia. Famílias da política são limpas. Elas vão te oferecer mais segurança.Ao ouvir aquilo estando do meu lado, um lampejo de ciúme cruzou os olhos de Cassius.Ele se inclinou até meu ouvido e sussurrou cuidadosamente:— Senhora, sinto dizer,

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