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Capítulo 4

작가: Liora Z
Continuei rindo, mas meus olhos começaram a arder.

Cassius era a única pessoa que imediatamente se importava com o que eu sentia.

Digitei de volta:

[Não precisa. Esse cara é muito poderoso. Não posso me dar ao luxo de ofendê-lo.]

Ele respondeu na mesma hora:

[Ninguém é mais poderoso do que eu.]

Não tive coragem de responder.

Depois de resgatar os US$ 50.000, joguei o celular de lado e fiquei encarando o teto, sem pensar em nada.

Dois anos.

Eu conhecia aquele cachorro havia dois anos.

Dois anos atrás.

Na dark web.

Uma transmissão secreta de BDSM.

Eu tinha acabado de completar vinte e dois anos.

As dívidas de drogas dos meus pais estavam completamente fora de controle, e nossa antiga casa já tinha sido hipotecada três vezes. Os agiotas começaram a me cercar quando eu saía do trabalho.

Durante o dia, eu trabalhava em uma galeria restaurando pinturas.

À noite, voltava para um apartamento caindo aos pedaços.

Desesperada, aceitei todo trabalho extra que aparecia.

Réplicas.

Falsificações.

Avaliações de obras.

Então uma amiga me chamou de lado e sussurrou um segredo.

— Existe um grupo na dark web. Transmissões sem mostrar o rosto. Você consegue ganhar, em uma noite, o que receberia em um mês na galeria.

Ela baixou ainda mais a voz.

— Mas você tem que saber interpretar um papel.

— Interpretar o quê?

— Uma Senhora. — Ela sorriu de canto. — Os caras realmente ricos de lá são todos uns pervertidos. Eles querem ser humilhados, pisados, dominados.

— Você é linda, tem pernas compridas e uma voz fria. Nasceu para isso.

Fiquei em silêncio por três segundos.

— Como faço para entrar?

Na minha primeira noite de transmissão, usei meia arrastão, aluguei um estúdio, coloquei uma máscara e escondi o rosto.

A câmera mostrava apenas minhas pernas.

Ganhei três mil dólares logo na primeira noite.

Na segunda semana, já tinha clientes fixos.

Na terceira, o perfil dele apareceu.

Na primeira visita, ele gastou dez mil dólares.

Nem pisquei.

Na segunda, trinta mil.

Na terceira, cinquenta mil.

Só então lancei um olhar preguiçoso para a câmera e falei friamente:

— É novo por aqui?

— Sim.

A voz do outro lado era grave, firme e transbordava uma dominância rigidamente contida.

Meu coração disparou.

Rico.

Voz bonita.

Obediente.

Um alvo perfeito.

Durante os três meses seguintes, ignorei deliberadamente as mensagens dele.

Cheguei a desaparecer por cinco dias seguidos.

Toda vez que eu sumia, ele entrava em pânico e me mandava dinheiro.

[Senhora, por favor, responda.]

[Senhora, ainda não é dinheiro suficiente?]

E, sempre que não era suficiente, uma transferência ainda maior caía na minha conta.

Até que, um dia, ele me enviou uma mensagem.

[Senhora, o que você quer? Posso lhe dar qualquer coisa.]

Fiquei olhando para a tela, com os dedos pairando sobre o teclado.

Minha mãe acabara de receber um aviso de estado crítico no hospital.

Os agiotas tinham jogado tinta vermelha na porta da minha casa.

Eu estava vivendo pior do que um cachorro.

Mas as palavras que digitei eram afiadas como uma faca.

[Quero você, meu cachorrinho. Um cachorrinho que me chame de Senhora.]

[Disponível vinte e quatro horas por dia. Que faça exatamente o caralhoque eu mandar.]

Ele ficou em silêncio por tanto tempo que achei que tivesse fugido.

Para um sugar daddy comum, aquele pedido era absurdo.

Então ele respondeu com uma única palavra.

[Ah.]

Soltei um sorriso de deboche e me preparei para bloqueá-lo.

Um segundo depois, outra mensagem apareceu.

[Você precisa que eu venda meu corpo?]

[Quer ver meu tanquinho?]

Congelei.

Ele próprio tinha aumentado a aposta.

Olhei para a tela e digitei lentamente.

[Sem mostrar o rosto. Sem nomes verdadeiros. Depois que se tornar meu, não pode tocar em outra mulher. Ou eu bloqueio você na mesma hora.]

Ele respondeu em menos de um segundo.

[Eu prometo.]

Logo depois veio uma mensagem de voz.

Toquei para ouvir.

Sua voz grave estava rouca, como se tivesse sido mergulhada no melhor uísque do mundo.

— Senhora... desde que a senhora me aceite... eu concordo com qualquer coisa.

Naquela noite, recebi minha primeira transferência de seis dígitos.

E ganhei um cachorrinho completamente obediente, que atendia a qualquer chamado meu.

Usei aquele dinheiro para pagar a internação da minha mãe, comprar os remédios da reabilitação do meu pai e quitar três meses de aluguel.

Nunca levei aquele relacionamento a sério nem por um segundo.

Era apenas uma transação.

Ele era o sugar daddy.

Eu era a dominadora.

Ele pagava por uma forma de satisfazer seus desejos.

Eu fornecia isso.

Simples assim.

Nós prometemos:

Sem mostrar o rosto. Sem nomes verdadeiros. Sem nos encontrarmos pessoalmente.

Achei que continuaríamos assim para sempre.

Cada um conseguia exatamente o que queria.

Saí das lembranças e olhei para a tela do celular.

A última mensagem era de Cassius:

[Ninguém é mais poderoso do que eu.]

Quem poderia imaginar?

Aquele homem patético da dark web, que implorava aos meus pés...

Era Cassius Falcone.

O rei do submundo da cidade.

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