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Capítulo 4

Author: Cocojam
Ao finalmente encararem meu corpo agonizante, coberto de fumaça e sendo consumido pelo acônito lupino, meus pais soltaram um lamento de desespero.

Minha mãe cobriu a boca, enquanto lágrimas pesadas escorriam por suas bochechas.

— Aurora... por que você não reagiu?

Ela cambaleou até a beira da cama e começou a tremer ao encarar a carne negra e carbonizada da minha garganta.

— Você sofreu tanto nas Terras do Exílio que seu espírito se quebrou? Conte para a mamãe. A mamãe vai consertar tudo.

"Consertar tudo?"

Onde estava toda essa disposição três anos atrás, quando vocês me baniram?

Kane também se aproximou.

Ao olhar para meu rosto sem vida, coberto por veias negras e envenenadas, uma expressão de profunda dor, que eu não via havia muito tempo, rompeu sua frieza.

— Sinto muito... Aurora. — Sua voz ficou embargada.

— Por que você é tão tola? De agora em diante, eu vou proteger você. Nunca mais deixarei ninguém machucá-la.

Lentamente, voltei meu olhar para ele.

Então, balancei a cabeça com fraqueza. Como minhas cordas vocais estavam destruídas, minha voz soou como pedras sendo trituradas.

— Você... não vai. Foi você... você me baniu com as próprias mãos... Por que iria... me proteger?

Aquelas palavras atingiram Kane e meus pais como um golpe físico.

Jasper permaneceu ao lado, pálido como um fantasma, mas continuou falando teimosamente.

— Mãe, pai, Kane, não deixem que ela engane vocês! Ela só está se fazendo de vítima! Deixou que fizessem tudo isso de propósito, só para que vocês se sentissem culpados!

Kane se levantou de repente. Com os olhos injetados de sangue, e rugiu:

— Cale a droga da boca, Jasper! Você não está vendo o estado dela?! Aquilo era acônito lupino e prata! Ela quase morreu!

— Ótimo. Ela devia ter morrido! — Jasper rugiu de volta, apontando um dedo para meu rosto.

— Ela ficou louca! Mantê-la na alcateia é esperar que uma tragédia aconteça. Ela não aprendeu porcaria nenhuma. Está apenas fingindo!

Ao notar o olhar encolhido de Isla, os olhos dele se suavizaram no mesmo instante.

— Não tenha medo, Isla. Eu não vou deixar ninguém machucar você.

Isla olhou para mim e, de repente, falou com uma voz tímida:

— Mãe, pai, Jasper. Acho que Aurora realmente não está bem da cabeça.

Ela fez uma pausa e assumiu uma expressão aterrorizada.

— Será que a loba dela se quebrou? E se essa obediência for apenas um disfarce? Assim que baixarmos a guarda, ela pode perder o controle e—

— Uma loba quebrada? — Os olhos de Jasper se iluminaram, como se ele tivesse acabado de perceber algo.

— Isso mesmo! Ela perdeu completamente a sanidade. Já não consegue controlar seus instintos selvagens. Uma psicopata que sabe esconder a própria loucura é o tipo mais perigoso. Se consegue ser tão cruel consigo mesma, quem sabe o que fará com Isla quando tiver uma oportunidade?

As palavras de Jasper fizeram meus pais hesitarem.

— Aurora, seu comportamento realmente não é normal. Vamos pedir aos curandeiros da alcateia que examinem você.

Pouco depois, dois curandeiros da alcateia, vestidos com mantos brancos, entraram às pressas.

Jasper imediatamente se colocou diante de mim.

— Doutor, ela se tornou uma loba renegada extremamente perigosa. É violenta e vive tentando ferir a si mesma.

Do outro lado do quarto, Isla trocou um olhar com os curandeiros. Um brilho venenoso atravessou seus olhos.

Uma hora depois, os resultados ficaram prontos.

Trauma severo da loba interior, com alto risco de perder o controle e se tornar selvagem.

Os curandeiros entregaram o relatório aos meus pais e recomendaram enfaticamente que eu fosse colocada em quarentena.

Ao ver o resultado, Jasper gritou:

— Mandem alguém agora mesmo! Joguem-na no calabouço ou enviem-na diretamente de volta às Terras do Exílio! Exijo que ela seja submetida a confinamento compulsório!

Ele me encarou com frieza, agindo como se eu fosse sua pior inimiga, e não sua irmã de sangue.

— Uma maldição como você só arrasta a alcateia para a lama. Seria melhor se estivesse morta!

A palavra "morta" ativou algo na minha mente.

Instintivamente, obedeci à ordem.

Enquanto Kane e Jasper discutiam, arrastei meu corpo destruído até a janela entreaberta e subi no parapeito.

Então, pulei.

Vi os rostos deles pressionados contra o vidro, distorcidos pelo mais absoluto horror.

Também vi os olhos de Kane ficarem imediatamente vermelho-sangue, tomados pelo puro desespero.

Meu corpo atingiu o chão com um baque pesado e nauseante. Sob a luz pálida da lua, meu sangue se espalhou ao meu redor.

Ao sentir o último fragmento da minha loba se despedaçar por completo, finalmente fechei os olhos e sorri, aliviada.

Eu finalmente poderia voltar para casa.
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