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Capítulo 5

Author: Washing Wheat
A voz severa da Claire Whitmore ecoou da porta.

O ar congelou. As empregadas me soltaram em pânico e abaixaram a cabeça.

A Sra. Ward ficou estátua no lugar, com a cara branca, segurando as duas mãos sujas de sangue.

Os pais do Graham tinham morrido quando ele era pequeno. Ele e sua irmã mais velha, Claire, tinham criado um ao outro. Metade de tudo o que o Graham tinha hoje era por causa dela.

Na família Whitmore, a palavra dela tinha mais peso do que a dele.

O olhar da Claire passou pelos hematomas roxos na minha barriga, pela cama encharcada de sangue e pelos pontos inacabados lá embaixo. Ela conseguiu ver o cabelinho do bebê despontando no meio do sangue e cambaleou, segurando-se no batente da porta.

— Quem deu esse topete para vocês? — A voz dela tremia. — Como o coração de vocês pode ser tão podre?

— Foi… foi o Sr. Whitmore. Ele disse que era para esperarmos até ele voltar…

Antes que a Sra. Ward terminasse de falar, Claire deu dois tapas na cara dela. Sangue brotou no canto da boca da Sra. Ward.

— Aquela mulher de novo! — Claire tremia de ódio. — Eu não tenho um irmão tão sangue-frio assim. A família Whitmore não cria bicho que machuca a própria esposa e o filho. Ela é a Sra. Whitmore. Como vocês têm coragem de tratar ela desse jeito? Se acontecer alguma coisa com a mãe ou com a criança, eu vou fazer vocês pagarem cem vezes mais. Vou garantir que vocês mofem na cadeia. Chamem uma ambulância. Agora!

As empregadas correram para desamarrar a corda do meu corpo.

No momento em que a corda afrouxou, minha barriga relaxou de repente.

Foi aí que ainda mais sangue escorreu pelas minhas pernas. A dor dilacerante lá embaixo ficou insuportável.

Claire correu para o meu lado e se ajoelhou na beirada da cama, com a voz embargada:

— Stella, eu cheguei tarde demais. Você sofreu tanto. Aguenta firme. Por favor, aguenta firme.

Olhei para os olhos vermelhos dela e quis levantar a mão para limpar as suas lágrimas.

Mas tudo apagou.

No meio do apagão, senti que estava sendo envolvida em um abraço caloroso que trazia um perfume suave e limpo.

A voz chorosa da Claire chegou bem perto do meu ouvido:

— Stella, olha para mim. Não dorme. Estou te levando para o hospital agora mesmo.

Eu quis responder, mas não saía som nenhum da minha garganta.

A única coisa que ouvi foi o grito de uma empregada ao meu lado:

— Sangue! É muito sangue! O bebê… eu acho que vi a cabecinha do bebê se mexer!

Claire virou a cabeça num solavanco. Com uma das mãos sujas de sangue, apontou para a Sra. Ward e berrou:

— Estão esperando o quê? Chamem a ambulância! Agora!

No quarto VIP do hospital, Natalie Vale estava deitada, pálida contra os travesseiros.

Graham Whitmore soprava cada colherada de sopa e dava na boca dela com toda a delicadeza do mundo. O olhar apaixonado dele quase transbordava. De vez em quando, ele encostava o ouvido na barriga dela para escutar o bebê.

— Graham — disse Natalie, fraquinha, olhando para ele com os olhos marejados. — Obrigada. Se não fosse por você, eu não sei o que teria sido de mim. Eu poderia até ter…

— Não fala uma coisa dessas. — Graham cobriu os lábios dela rapidamente com a mão. — Eu nunca vou deixar nada acontecer com você ou com o bebê. Você já sofreu demais nesta vida.

— Você continua sendo tão bom para mim quanto era antes. — Natalie apertou a mão dele com mais força. Lágrimas caíram na pele dele. — Quando o bebê nascer, você vai ser o pai dele. Eu só tenho você agora.

Ela franziu os lábios e, do nada, ficou com os olhos vermelhos.

— Mas será que a Stella vai me culpar? Eu juro que não queria que nada disso acontecesse. Se ela me odiar, acho que não vou conseguir continuar vivendo.

— Que bobeira, menina. — Graham acariciou o cabelo dela de leve. — Foca na sua gravidez. Você não precisa esquentar a cabeça com mais nada.

Um rastro de satisfação passou pelos olhos da Natalie. Depois, ela voltou a falar com aquela voz tímida de sempre.

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