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Capítulo 2

Author: Anna Smith
Atrás de Marcus, ao lado do portão, havia uma placa de prata.

Bem-vindos ao Rei dos Dragões e à Rainha dos Dragões.

As letras tinham sido polidas até brilharem, preparadas para a chegada daqueles a quem Marcus passara anos tentando impressionar.

Apontei para o título gravado.

— É essa a minha identidade.

As risadas começaram quase de imediato.

— Ela diz que é a Rainha dos Dragões!

— Afirma ser a companheira de Caelan Frost!

— Quatro anos fora e acabou perdendo o juízo!

Clara foi quem riu mais alto. Quando finalmente se aproximou da placa, o sorriso dela estava afiado de tanto desprezo.

— Leia com atenção, Sienna. Estamos esperando pela parceira do Rei dos Dragões, a mulher mais honrada entre todos os clãs — não por uma mulher rejeitada, que carrega uma criança de pai desconhecido.

Ela ergueu a voz para que todos ao redor ouvissem:

— Talvez você ainda não saiba. No mês passado, Sua Majestade gastou cinquenta milhões de moedas de ouro em um leilão real para comprar um anel de rubi.

A simples menção do anel mudou o clima no local na mesma hora.

— Cinquenta milhões?

— Dizem que é uma relíquia da antiga dinastia dos Dragões de Gelo.

— Apenas a verdadeira Rainha dos Dragões poderia usar algo assim.

Clara levantou a mão desnuda em direção à luz, como se já pudesse ver o rubi brilhando em seu próprio dedo.

— Bastou esse presente — continuou ela — e toda a Corte dos Dragões já soube qual é o lugar daquela que o receber.

Deslizei o polegar sobre o anel que usava na mão esquerda.

Caelan o havia colocado ali pessoalmente, no jardim de gelo do palácio do norte. Ajoelhara-se diante de mim, com a antiga joia estendida na palma da mão, e chegou até a se desculpar, dizendo que era apenas a melhor pedra que conseguira encontrar.

Apenas Caelan Frost seria capaz de considerar uma relíquia real algo aquém do suficiente.

Clara percebeu o movimento.

— O que é isso na sua mão?

Antes que eu pudesse afastar a mão, Marcus segurou-me pelo pulso. O aperto foi tão forte que parecia que iria deixar marcas, mas toda a sua atenção já estava voltada para o rubi e para o brasão dos Dragões de Gelo gravado na haste.

Por um breve instante, a dúvida passou pelo seu rosto.

— Uma boa imitação.

Clara agarrou-se a essa afirmação, visivelmente aliviada.

— Claro que sim. Só pode ser uma falsificação.

Marcus girou o anel no meu dedo, enquanto o polegar roçava sobre o brasão gravado.

— Onde conseguiu isso? Foi com aquele tal Dragão das Águas que a abandonou? Ou roubou de alguém que teve a ingenuidade de sentir pena de você?

— Solte-me.

Ele puxou com mais força. Uma pontada de dor percorreu meu dedo, até que o anel deslizou e ficou na palma da sua mão, brilhante e inconfundível.

Mesmo assim, Marcus se recusou a aceitar a verdade.

— O trabalho é bem feito — disse ele. — Quem o fabricou sabia copiar o brasão real com precisão.

— Ele é meu.

Clara arrancou o anel da mão dele e ergueu-o bem alto.

— Vejam só! Uma peça de mercado, e ela o usa como se fosse uma coroa!

Suas acompanhantes se aproximaram, ansiosas para concordar, agora que Marcus já havia definido qual seria a versão da verdade.

— Parece mesmo autêntico.

— Autêntico demais para alguém como ela.

— É por isso que as boas imitações enganam.

Estendi a mão.

— Devolva-me.

Clara girou a joia entre os dedos.

— Ou o quê? Vai chamar o Rei dos Dragões para me punir?

— Foi Caelan quem me deu.

Antes que alguém pudesse dizer mais alguma coisa, Marcus me desferiu um tapa com força. O impacto encheu minha boca de sangue e fez cessar, de repente, todas as risadas ao redor.

— Como ousa pronunciar o nome do Rei dos Dragões como se ele estivesse à sua disposição?

Segurou-me pelo queixo, obrigando-me a olhar diretamente para ele.

— Uma mulher como você não tem o direito de dizer o nome de Sua Majestade. Se ele ouvisse você usá-lo para sustentar suas mentiras, mandaria arrastá-la até a Corte dos Dragões para ser julgada.

Clara observava tudo com uma expressão de satisfação evidente, ainda segurando o anel.

Marcus me soltou e ajeitou o casaco, como se tivesse apenas corrigido o comportamento de uma serva desobediente.

— Chega. Já fui mais paciente do que você merece.

Sua voz suavizou novamente, assumindo o mesmo tom de falsa clemência que usara logo na entrada.

— Implore, Sienna. Implore como deve ser, e ainda assim aceito você de volta. Poderá trabalhar na minha casa, e permitirei que essa criança que carrega no ventre nasça sob o meu teto.

O rosto de Clara ficou tenso.

— Marcus...

Ele a ignorou completamente.

— Você não tem mais a proteção de um clã, nem um parceiro disposto a reivindicá-la, não possui título nem dinheiro. Sem mim, você e essa criança não sobreviverão por muito tempo fora desses muros.

Antigamente, palavras assim talvez tivessem me destruído. Há quatro anos, a rejeição dele me levou a sair da Fortaleza Blackthorn sem nada além do sinal da Deusa dos Dragões e de um coração que ele próprio havia partido. Agora, porém, a sua piedade não conseguia mais me tocar.

— Não. Não preciso da sua caridade.

Clara voltou a rir, embora se percebesse um certo esforço por trás daquele riso. Atirou o anel aos meus pés.

— Então volte para qualquer esgoto onde conseguiu sobreviver até aqui. Quando a fome apertar, lembre-se de que Marcus lhe ofereceu clemência.

Abaixei-me para pegar o anel e limpei o pó do rubi com a manga da roupa. O brasão continuava intacto.

Quando voltei a colocá-lo no dedo, a expressão de desaprovação de Marcus ficou ainda mais acentuada.

— Você vai se arrepender disso.

Deixei o uniforme de serva onde estava e segui caminho para fora da estrada que levava ao portão.

Atrás de mim, Clara gritou:

— Continue fingindo, Sienna! Quando a verdadeira Rainha dos Dragões chegar, espero que ainda tenha coragem de usar essa falsificação!

O anel permaneceu firme no meu dedo.

Dali a quatro dias, todos os senhores da Fortaleza Blackthorn voltariam a vê-lo — e dessa vez, não haveria dúvidas.

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