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A Porta que Ele Fechou Me Fez Rainha
A Porta que Ele Fechou Me Fez Rainha
Author: Anna Smith

Capitulo 1

Author: Anna Smith
Eu estava parada do lado de fora dos portões da Fortaleza Blackthorn, esperando pela escolta enviada para me receber.

Em vez disso, a primeira pessoa a atravessar o portão foi Marcus Blackthorn.

Por um instante, sua expressão se fechou ao me reconhecer. Em seguida, a velha arrogância voltou, suave e habitual, como se quatro anos não tivessem mudado nada entre nós.

— Sienna? — O olhar dele percorreu a minha capa, a minha roupa de viagem e depois pousou suavemente sobre a curva do meu ventre. — O que está fazendo aqui?

Ele desmontou do cavalo, e as pessoas que o acompanhavam fizeram o mesmo.

Clara Linwood aproximou-se do seu lado, vestida com um traje tão luxuoso que parecia inadequado para uma simples inspeção matinal. As suas criadas agruparam-se ao redor dela, como se formassem uma corte feita apenas para zombar.

Marcus voltou a me observar de cima a baixo.

— O que é essa roupa que veste?

Clara levou a mão à boca e soltou uma risada.

— Olhem só para ela. Quatro anos longe da Fortaleza Blackthorn e foi isso em que se transformou?

Um dos homens atrás dela soltou uma risada abafada.

— Deve ter ficado sem lugar para se arrastar.

Os olhos de Clara desceram até o meu ventre, e o seu sorriso ficou mais afiado.

— Ouvi dizer que algum dragão de linhagem inferior, do Clã das Águas, a engravidou. Ele também a jogou fora? É por isso que voltou aqui para implorar?

As risadas se espalharam por todo o grupo.

Marcus ergueu uma das mãos, e todos se calaram imediatamente. Ele sempre gostou de ser quem decidia quando a crueldade devia parar.

Observou-me com uma expressão solene, como quem se prepara para conceder uma clemência.

— A minha casa realmente precisa de mais uma serva — disse ele. — Alguém para realizar os trabalhos mais pesados: limpeza, lavagem de roupas e cuidados com as crianças. Nada difícil.

Atirou um pacote dobrado aos meus pés.

Era o uniforme cinza de serva.

— O salário não será generoso, mas será o suficiente para mantê-la viva. No seu estado, isso é mais do que qualquer outra pessoa estaria disposta a oferecer.

O sorriso de Clara se alargou.

— Que generoso da sua parte, Marcus. Poucos homens teriam piedade de uma mulher que carrega o filho bastardo de outro.

Há quatro anos, eu estivera diante desse mesmo homem vestida de branco cerimonial, esperando que ele segurasse a minha mão e selasse o nosso vínculo de dragão diante do altar da Deusa dos Dragões.

Ele havia me soltado na frente de todas as famílias nobres do seu território.

Agora, queria me ver vestida de cinza, como uma simples serva.

O insulto deveria ter me machucado mais. Talvez tivesse, um dia.

Ergui a cabeça e encarei-o diretamente nos olhos.

— Não estou sozinha.

Marcus fez uma pausa. A risada de Clara vacilou, mas apenas por um segundo.

Coloquei uma das mãos suavemente sobre o meu ventre.

— Tenho o meu filho comigo.

Clara ficou me olhando, e em seguida soltou uma risada tão cortante que até algumas das suas acompanhantes desviaram o olhar.

— Então é verdade — disse ela. — Foi abandonada por algum dragão do Clã das Águas e voltou se arrastando, com o bastardo dele na barriga.

Deu um passo à frente, e o perfume forte e doce que usava se espalhou pelo ar frio.

— Sienna, realmente não tem nenhum resquício de dignidade.

Marcus franziu a testa para ela, mas não por discordar. Ele apenas preferia disfarçar o seu desprezo com uma máscara de generosidade.

— Chega, Clara.

Depois, voltou o olhar para mim.

— Devia se sentir grata por eu estar oferecendo algo para você.

— Não vim atrás da sua caridade.

Os guardas próximos ao portão trocaram olhares entre si. Esperavam ver lágrimas, desculpas ou talvez um pedido de abrigo. Era essa a mulher que lembravam: a jovem que um dia amou Marcus Blackthorn a ponto de considerar o menor gesto de bondade dele como um raio de sol.

Aquela jovem havia morrido no altar, há quatro anos.

Marcus aproximou-se mais e abaixou a voz.

— Não aja com orgulho comigo, Sienna. Eu sei o que acontece com mulheres que saem de seus clãs sem nada. Durou quatro anos. É algo admirável. Mas o orgulho não vai alimentá-la, nem proteger essa criança.

Lançou um olhar de desdém ao meu ventre.

— Pegue o uniforme. Venha sem fazer escândalo. Clara pode não gostar, mas ainda posso garantir um lugar para você na minha casa.

Ele me oferecia uma posição abaixo da de Clara, com um salário apenas suficiente para me manter dependente — na mesma casa onde, um dia, me prometera um lugar ao seu lado.

Eu não me abaixei para pegar o uniforme.

A paciência de Marcus começou a se esgotar.

— Sienna.

Contornei o pacote que estava aos meus pés.

— Já disse que não estou sozinha.

Clara cruzou os braços.

— Então onde está esse seu grande protetor? Onde está o homem que a engravidou? Não vejo ninguém correndo para assumir você.

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