LOGINIvone Marques foi como tantas mulheres que só despertavam depois de serem esmagadas pelo amor: ela tentou, com todas as forças, fazer um homem como Fabiano Moraes se apaixonar por ela. Mas, depois de três anos de casamento, os dois viviam como completos estranhos. Quando Ivone ficou entre a vida e a morte, vítima de uma armadilha cruel, Fabiano, em vez de estar ao lado da esposa, acompanhava a antiga paixão da vida dele. Ivone decidiu arrancar aquele homem do coração, ainda que isso rasgasse a alma dela. Só que ela não imaginava que aquele sujeito, acostumado a mandar em tudo e em todos, não ia aceitar ser descartado tão fácil. Ele passou a rondar a vida dela como um fantasma insistente, se aproximando passo a passo, afastando qualquer outro homem que tentasse chegar perto e fechando todas as rotas de fuga dela. — Lá atrás, foi você que fez questão de se casar comigo. Enquanto eu não disser que a gente se divorciou, você não vai sair da minha vida nunca! — Declarou ele, certo de que ainda mandava nas regras do jogo. Ivone o encarou com frieza e respondeu: — Sinto muito. Sr. Fabiano, você já foi chutado pra fora do jogo por mim faz tempo. Quem decide o divórcio sou eu. Se eu digo que acabou, acabou.
View MoreEra hora de correr contra o tempo.Um dos homens ao lado de Douglas gritou na direção da pedra:— Srta. Ivone, o nosso tempo está acabando. Trate de se apressar, senão vai ter que fazer nas próprias calças.Ivone não deu atenção para ele. Ela simplesmente continuou andando e foi direto para trás da pedra grande.Todos viram quando ela chegou atrás do rochedo. Ela se agachou ali, deixando só a barra da roupa à mostra. O topo da montanha estava coberto por uma névoa fina, e, sob aquela névoa, a ponta da roupa de Ivone se misturava à escuridão da noite, tornando-se um borrão negro.De vez em quando, um ou outro canto de pássaro ecoava no meio das árvores.A noite ficava cada vez mais densa, o céu não mostrava nem uma única estrela. De repente, algumas gotas de chuva começaram a cair.Douglas estendeu a mão. As gotas bateram na palma dele e, em seguida, caíram no cascalho da trilha com um som miúdo e constante. Aquele pingo aqui, pingo ali virou um chuvisco mais pesado, até que a chuva com
Ao pé da serra, Fabiano desceu do carro com os seguranças. O helicóptero de ataque ainda ia levar um tempo para chegar.Mas Douglas já tinha entrado na montanha levando Ivone.O temperamento de Ivone era do tipo que preferia morrer a se curvar. Ela jamais aceitaria ser levada embora por Douglas sem lutar.O problema era que, se ela tentasse fugir das garras dele e inventasse algum jeito de escapar bem debaixo do nariz dele, a trilha íngreme da montanha poderia se tornar uma armadilha mortal. Um pequeno descuido bastaria para ela despencar do penhasco.A cena de quando Ivone tinha sido sequestrada pelo namorado de Hebe e tinha caído do despenhadeiro passou num flash pela mente de Fabiano. Naquele instante, o rosto dele ficou sombrio como se tivesse sido coberto por uma camada de gelo.No caminho, Fabiano já tinha vestido uma jaqueta tática e botas de trilha. Ele colocou os óculos de visão noturna, pegou um fuzil, encheu o carregador e engatilhou a arma com um som seco e preciso, como se
Roberto fez um carinho na cabeça redondinha do menino e, em seguida, olhou para o médico.— Como é que o corpo dele ficou tão fraquinho assim? — Ele perguntou.Assim que Roberto fez a pergunta, ele mesmo percebeu que tinha falado uma bobagem. Se o menino não estivesse tão frágil, será que Fabiano teria escondido a existência dele por tanto tempo?Já fazia um ano e, pelo que Roberto estava vendo, o garotinho provavelmente nem força para ficar de pé tinha.De repente, Roberto se lembrou de que Fabiano já tinha comentado que precisava da medula da Maia. Na época, Fabiano não tinha dito para quem seria. Agora, ao ver Túlio, Roberto de repente entendeu tudo.— Ele precisa de um transplante de medula, não é? — Roberto perguntou.Osvaldo inclinou a cabeça em um gesto afirmativo:— Sim. O tempo dele está acabando.— Até agora a medula da Maia ainda é a única opção? Vocês não conseguiram achar outro doador compatível? — Roberto insistiu.Osvaldo assentiu com expressão pesada:— Não, nós não con
Depois que Roberto desligou o celular com Fabiano, ele vestiu uma calça, pegou um moletom de gola fechada e saiu do quarto às pressas.Quando ele desceu as escadas, sentiu as pernas estranhamente bambas, uma sensação que nunca tinha experimentado antes. Na cabeça dele, só ecoava a frase de Fabiano: "Do Túlio, o meu filho com a Ivone."O couro cabeludo de Roberto chegou a formigar. Não era aquele garotinho que, ainda na barriga da Ivone, tinha sido dado como perdido, obrigando‑a a fazer um parto induzido? Como é que ele agora estava em um hospital?Ele não ousou perder nem um segundo. Ele pegou a chave do carro esportivo de melhor desempenho que ele tinha. Só que, quando ele chegou na porta de casa, ele ouviu o mordomo dizer:— Senhor, a senhorita ligou avisando que hoje à noite não volta. — O mordomo informou.A mão de Roberto, que segurava a chave do carro, parou no ar por um instante.— Ela está cada dia mais arteira. Mais tarde eu mesmo vou lá buscar essa pestinha. — Ele resmungou c






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