MasukRui se levantou e pegou duas armas. Ele enfiou uma na cintura e segurou a outra na mão. Depois ele caminhou até a porta da cabine e falou no fone de comunicação:— Vocês me dão cobertura.Rui puxou a porta da cabine e, agarrado ao cabo de descida do helicóptero, desceu rapidamente até o chão.Aquela aeronave voou na direção do penhasco de onde Fabiano tinha acabado de despencar.Rui largou o cabo. Ele foi disparando tiros para todos os lados enquanto corria atrás de Enzo, entrando na mata em que Enzo tinha se escondido.Ele lançou um olhar rápido em direção ao penhasco.Se fosse só o Fabiano, aquele tipo de despenhadeiro não seria problema para ele. O problema era que ele estava protegendo Ivone, e isso deixava tudo muito mais complicado.Naquele ponto da mata, o mato chegava a mais de um metro de altura, o que tornava o terreno ainda mais difícil do que na serra deserta do lado da região de Uíge por onde eles tinham passado um pouco antes.Aquela área ficava na divisa entre dois paíse
Ivone sentiu a testa queimar. Ela quis erguer a mão para levar os dedos à própria testa, mas, no segundo seguinte, Fabiano já tinha soltado a cintura dela e prendido firme a mão dela com a mão dele.A mão dela estava gelada. A mão dele estava quente.— Um, dois, três! — Gritou Fabiano.No exato momento em que o corpo de Ivone foi lançado para cima pela força dos músculos dele, o calor daquela mão que segurava a dela com tanta firmeza simplesmente desapareceu.Fabiano soltou a mão dela.Ivone foi arremessada para a beira da mata do outro lado. Ela agarrou com todas as forças uma das trepadeiras que desciam do barranco, mordeu a arma para liberar as mãos e começou a subir, usando braços e pernas.Assim que ela conseguiu alcançar o chão firme da mata, atrás dela ecoou de repente um estalo, seguido pelo som de pedras despencando. A mão que segurava a arma parou no ar, e o sangue pareceu voltar inteiro para o coração. O coração de Ivone deu um tranco tão forte dentro do peito que tudo escur
Os helicópteros travavam combate no ar, e Douglas não tinha a menor condição de subir em nenhum deles.O braço de Enzo ainda sangrava. Ele colocou o corpo de Douglas atrás do seu e falou:— Dom Douglas, vamos primeiro entrar na mata.Só que o número de seguranças de Fabiano continuava aumentando, e os homens que Dom Douglas tinha deixado na retaguarda para dar apoio também já tinham entrado naquele trecho de montanha e avançavam rápido naquela direção.Mesmo assim, naquele momento, o mais urgente era garantir que Dom Douglas escapasse vivo daquele tiroteio.Enzo, com o braço ferido, levou a mão para a parte de trás da cintura e puxou uma granada.Os olhos de Douglas brilharam com um lampejo gelado:— Explode o Fabiano.A granada começou a soltar fumaça branca e, sob o clarão pálido da lua, explodiu com um estrondo.Ivone só sentiu um zumbido tomar conta dos ouvidos. No segundo seguinte, o corpo dela foi envolvido com força por um dos braços fortes de Fabiano, enquanto uma mão grande e
Maia sempre manteve o olhar preso em cada movimento de Ivone.Já que todas as principais saídas de Uíge estavam bloqueadas, com certeza quem tinha feito isso tinha sido a família Moraes e a família Braga. Eles podiam alcançar o grupo a qualquer momento para resgatar Ivone.Eles estavam contra o tempo. O embarque no helicóptero seria às pressas e, naquela correria, com certeza apareceria alguma brecha na defesa. Por isso, Maia tinha planejado esperar todos embarcarem rápido no helicóptero e, no exato instante em que a porta da cabine se fechasse, ela ia esfaquear Ivone com o canivete de mola e, em seguida, jogar o corpo para fora, deixando Ivone despencar pelo outro lado do topo da montanha, ladeira abaixo naquele barranco íngreme.Maia vigiava cada gesto de Ivone e, por isso, ela foi a primeira a perceber o momento em que Ivone tomou a arma de Enzo.No exato segundo em que Ivone apontou a arma para Douglas e atirou, Maia puxou a arma do segurança ao lado dela e usou o próprio segurança
Maia ainda segurava, nas próprias mãos, a parte da fortuna e a fórmula de produção da droga de alta pureza que Douglas queria. Por isso, Douglas não a mataria.Maia olhou de lado para o perfil de Douglas e deu uma risadinha de canto de boca, cheia de segundas intenções.— Combinado, então. Quando a gente subir no helicóptero, você a entrega para mim. Vou fazer essa mulher sofrer tanto que ela vai preferir morrer, e deixo só um fio de vida para você. — Disse ela.Douglas não respondeu nada, nem confirmou nem negou. Ele apenas deu uma ordem para os homens que estavam por perto.— Fiquem atentos a qualquer movimento em volta. — Ordenou ele.— Falta quanto para esse helicóptero chegar? — Perguntou Maia, já irritada.Um dos homens ao lado de Douglas respondeu.— Faltam cinco minutos.Enzo empurrava Ivone para a frente enquanto ela andava. Ela ouvia a conversa de Douglas e Maia, tentando pescar alguma informação nas palavras dos dois e, por isso, não prestou atenção no chão. A sola do sapato
Embora Enzo tivesse colocado Ivone de volta no chão, ele puxou os braços dela para trás e amarrou os dois punhos com uma corda, para impedir que ela tirasse a toalha da boca e gritasse.Ivone foi empurrada para a frente, obrigada a andar.Douglas desviou o olhar e passou a caminhar na dianteira. Ele lançou um olhar para Maia, que seguia ao lado dele.— Se quiser bater nela, se quiser torturar, espera a gente subir no helicóptero. — Disse ele.— E se eu quiser matar ela? — Perguntou Maia.A frase leve de Maia ressoou nos ouvidos de Ivone. Ela olhou para as pernas de Maia, firmes, caminhando com passos largos e seguros.Geraldo podia até não gostar dela, mas, na frente de todo mundo, Maia ainda era a herdeira oficial da família Dias. Em teoria, ela mal conseguia correr, quanto mais subir montanha. Pelo visto, nesses três anos fora do país, a experiência de vida de Maia tinha sido bem mais pesada do que todo mundo imaginava.E, mais do que isso, ela tinha se aliado a Douglas. Pelo jeito c







