LOGINMaia ainda segurava, nas próprias mãos, a parte da fortuna e a fórmula de produção da droga de alta pureza que Douglas queria. Por isso, Douglas não a mataria.Maia olhou de lado para o perfil de Douglas e deu uma risadinha de canto de boca, cheia de segundas intenções.— Combinado, então. Quando a gente subir no helicóptero, você a entrega para mim. Vou fazer essa mulher sofrer tanto que ela vai preferir morrer, e deixo só um fio de vida para você. — Disse ela.Douglas não respondeu nada, nem confirmou nem negou. Ele apenas deu uma ordem para os homens que estavam por perto.— Fiquem atentos a qualquer movimento em volta. — Ordenou ele.— Falta quanto para esse helicóptero chegar? — Perguntou Maia, já irritada.Um dos homens ao lado de Douglas respondeu.— Faltam cinco minutos.Enzo empurrava Ivone para a frente enquanto ela andava. Ela ouvia a conversa de Douglas e Maia, tentando pescar alguma informação nas palavras dos dois e, por isso, não prestou atenção no chão. A sola do sapato
Embora Enzo tivesse colocado Ivone de volta no chão, ele puxou os braços dela para trás e amarrou os dois punhos com uma corda, para impedir que ela tirasse a toalha da boca e gritasse.Ivone foi empurrada para a frente, obrigada a andar.Douglas desviou o olhar e passou a caminhar na dianteira. Ele lançou um olhar para Maia, que seguia ao lado dele.— Se quiser bater nela, se quiser torturar, espera a gente subir no helicóptero. — Disse ele.— E se eu quiser matar ela? — Perguntou Maia.A frase leve de Maia ressoou nos ouvidos de Ivone. Ela olhou para as pernas de Maia, firmes, caminhando com passos largos e seguros.Geraldo podia até não gostar dela, mas, na frente de todo mundo, Maia ainda era a herdeira oficial da família Dias. Em teoria, ela mal conseguia correr, quanto mais subir montanha. Pelo visto, nesses três anos fora do país, a experiência de vida de Maia tinha sido bem mais pesada do que todo mundo imaginava.E, mais do que isso, ela tinha se aliado a Douglas. Pelo jeito c
— Dom Douglas.A chuva atravessava o facho de luz quando Ivone enxergou primeiro a silhueta alta e ereta do homem que vinha na frente. O rosto dela, que já estava sem cor, enrijeceu de vez.Dois rostos quase irreconhecíveis, duas vozes praticamente idênticas. Mas, há pouco, Ivone tinha ouvido Douglas chamar aquele homem de Enzo.Rui e Enzo tinham a mesma cara?Antes que esse pensamento conseguisse tomar forma completa na cabeça dela, Ivone viu, no segundo seguinte, uma mulher sair de trás de Enzo. A mulher tinha quase a mesma altura e o mesmo porte físico que Ivone.Maia sorriu de leve, mas o olhar dela estava gelado e sombrio. Ela ergueu o fim da frase num tom agudo:— Oi, Ivone.— As suas pernas… — O olhar de Ivone desceu. Ela ficou encarando, sem piscar, as pernas de Maia, firmes, sustentando o corpo dela. Os lábios de Ivone tremeram, mas logo se fecharam com força. Um sorriso torto, cheio de deboche, surgiu no canto da boca dela. — Não esperava menos de você. A sua atuação continua
No escuro, Ivone sentiu o couro cabeludo formigar e os tímpanos latejarem. Ela conseguia ouvir o som do próprio sangue correndo e do coração batendo."Pum! Pum! Pum!"O coração dela disparava frenético dentro do peito.Há pouco, Ivone tinha ouvido a voz de Rui chamar Douglas de "Dom Douglas".Antes, quando ela tinha pesquisado sobre Douglas, ela tinha descoberto que ele tinha crescido naquela região caótica da fronteira entre o Brasil e a Colômbia. Na época, o chefe do cartel em que ele trabalhava se chamava Caçador. Douglas era apenas um dos homens de confiança dele e, naquele tempo, ele ainda nem tinha nome próprio.Caçador o chamava de "A Sombra do Caçador".Depois que Caçador morreu, Douglas escolheu para si o nome Douglas. Só que o apelido de "A Sombra do Caçador" já tinha se espalhado, então, por toda a região da fronteira entre o Brasil e a Colômbia, em todos os cartéis grandes e pequenos, todo mundo passou a tratar ele como Dom Douglas.Sem dúvida nenhuma, aquilo era um título
Era hora de correr contra o tempo.Um dos homens ao lado de Douglas gritou na direção da pedra:— Srta. Ivone, o nosso tempo está acabando. Trate de se apressar, senão vai ter que fazer nas próprias calças.Ivone não deu atenção para ele. Ela simplesmente continuou andando e foi direto para trás da pedra grande.Todos viram quando ela chegou atrás do rochedo. Ela se agachou ali, deixando só a barra da roupa à mostra. O topo da montanha estava coberto por uma névoa fina, e, sob aquela névoa, a ponta da roupa de Ivone se misturava à escuridão da noite, tornando-se um borrão negro.De vez em quando, um ou outro canto de pássaro ecoava no meio das árvores.A noite ficava cada vez mais densa, o céu não mostrava nem uma única estrela. De repente, algumas gotas de chuva começaram a cair.Douglas estendeu a mão. As gotas bateram na palma dele e, em seguida, caíram no cascalho da trilha com um som miúdo e constante. Aquele pingo aqui, pingo ali virou um chuvisco mais pesado, até que a chuva com
Ao pé da serra, Fabiano desceu do carro com os seguranças. O helicóptero de ataque ainda ia levar um tempo para chegar.Mas Douglas já tinha entrado na montanha levando Ivone.O temperamento de Ivone era do tipo que preferia morrer a se curvar. Ela jamais aceitaria ser levada embora por Douglas sem lutar.O problema era que, se ela tentasse fugir das garras dele e inventasse algum jeito de escapar bem debaixo do nariz dele, a trilha íngreme da montanha poderia se tornar uma armadilha mortal. Um pequeno descuido bastaria para ela despencar do penhasco.A cena de quando Ivone tinha sido sequestrada pelo namorado de Hebe e tinha caído do despenhadeiro passou num flash pela mente de Fabiano. Naquele instante, o rosto dele ficou sombrio como se tivesse sido coberto por uma camada de gelo.No caminho, Fabiano já tinha vestido uma jaqueta tática e botas de trilha. Ele colocou os óculos de visão noturna, pegou um fuzil, encheu o carregador e engatilhou a arma com um som seco e preciso, como se







