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Capítulo 2

Author: Velho Lobo
Mesmo por cima da saia, eu sentia o calor do corpo dele.

Era forte, firme, presente demais. A pressão atrás de mim era tão nítida que meu coração disparou, e por um instante minha cabeça pareceu parar de funcionar.

Curvei um pouco o corpo e apertei os lábios, tentando impedir qualquer som de escapar.

O homem alto já havia me levado, com o próprio peso da multidão, para perto da janela. O ônibus seguia abarrotado, gente reclamando, corpos se empurrando a cada freada, e ninguém parecia notar o que acontecia naquele canto apertado.

Presa entre ele e o vidro, baixei a cabeça, com o rosto em brasa. Para não perder o equilíbrio, precisei afastar um pouco as pernas e apoiar as mãos na janela.

— Me... Me solta...

Achei que, depois disso, ele fosse se afastar.

Mas ele apenas chegou mais perto.

A mão grande dele deslizou pela minha cintura com uma naturalidade perigosa, como se aquele contato fosse só consequência do aperto dentro do ônibus.

— Hm...

O som escapou da minha garganta antes que eu pudesse segurar.

O toque dele era lento, controlado, às vezes leve, às vezes firme demais. Minha razão gritava que aquilo estava errado, que eu nem conhecia aquele homem. Mas meu corpo, traído pelo calor, pelo aperto e por uma carência guardada havia tempo demais, reagia de um jeito que me enchia de vergonha.

Ele era um estranho.

Como eu podia permitir qualquer coisa pelas costas do meu marido?

— Moça, esse motorista dirige mal demais. — Ele murmurou junto ao meu ouvido, com a voz baixa e rouca. — Melhor eu segurar você.

Enquanto falava, a mão dele descia pela minha cintura e segurava meus quadris com uma ousadia cada vez mais difícil de fingir que era acidente. Aquele contato passava dos limites, e a mistura de calor, medo e vergonha fez meu corpo estremecer.

A palma dele queimava através do tecido. Os dedos marcavam minha pele, e meu coração batia tão forte que parecia querer sair do peito.

Virei o rosto de leve e vi, de relance, o corpo dele. A camiseta preta moldava o peito largo, o abdômen firme aparecia a cada movimento, e uma voz perigosa dentro de mim começou a sussurrar coisas que eu não queria admitir.

"Bonito demais... Forte demais..."

Ele apertou minhas curvas com força, as mãos grandes e ásperas deslizando pela minha pele como se quisessem decorar cada parte do meu corpo. O toque era ousado, possessivo, quase indecente, moldando minha carne entre os dedos e arrancando de mim arrepios que eu já não conseguia disfarçar.

Mordi os lábios, o peito úmido de suor subindo e descendo rápido demais. Eu queria fingir que aquilo não me afetava. Queria manter a postura, resistir àquela sensação quente e perigosa que se espalhava pelo meu corpo inteiro.

Mas meu corpo me traiu.

Talvez eu estivesse carente havia tempo demais. Talvez eu já estivesse desejando aquilo antes mesmo de admitir. Quando aquela onda intensa me atravessou de repente, senti o rosto arder de vergonha.

"Meu Deus... Eu estava tão necessitada assim? Tão rápido..."

Ele percebeu depressa. Bastou sentir a reação do meu corpo sob a palma da mão para soltar uma risada baixa, rouca, cheia de malícia.

Antes que eu conseguisse organizar qualquer pensamento, ele levantou minha saia até a cintura, expondo minha pele ao ar abafado do ônibus. A outra mão deslizou entre minhas coxas, sem pressa, mas com uma ousadia que me arrancou todo o controle.

— Ah...

O choque repentino de prazer foi forte demais, e um gemido escapou dos meus lábios antes que eu conseguisse me conter.

Eu me rendi àquela sensação de ser dominada por um homem bonito, seguro de si, irresistível. O prazer era tão intenso que minha cabeça ficou leve, meus olhos quase se perderam, e meus lábios entreabertos deixaram escapar uma respiração úmida, trêmula, cheia de desejo.

A voz dele voltou ao meu ouvido, baixa, tentadora:

— Você é linda demais... Quer que eu continue?

Tentei me mexer, confusa, e ele afrouxou a força, como se esperasse uma resposta. Mesmo assim, continuava perto, quente, presente demais.

Ele inclinou a cabeça e roçou os lábios de leve perto da minha orelha.

— Quer?

A verdade era vergonhosa demais.

Eu queria.

Meu corpo inteiro parecia tomado por uma inquietação difícil de controlar. Ele era jovem, bonito, cheio de energia. Perto dele, meu marido parecia ainda mais distante, ainda mais frio.

Eu estava envergonhada, com o rosto ardendo, mas o calor que subia pelo meu ventre começava a engolir o pouco de razão que me restava.

Eu estava perto demais de ceder.

Se ao menos meu marido não fosse impotente...

— Pelo visto, faz muito tempo que ninguém cuida de você de verdade, não é?

Sem perceber, senti o corpo dele se aproximar de novo por trás. Aquela pressão quente e evidente fez meu coração falhar uma batida.

Eu sabia que devia empurrá-lo.

Sabia que aquilo era perigoso, errado, absurdo.

Mas minhas pernas perderam a firmeza. O sangue parecia ferver dentro de mim, e o desejo queimava de um jeito quase insuportável. Mesmo assim, ainda tentei me afastar, agarrada ao último resto de lucidez.

Quanto mais eu tentava recuperar a razão e me afastar daquela loucura, mais ousado ele ficava.

Ele passou o dedo pela lateral da minha calcinha já encharcada e a puxou devagar para baixo. O tecido cedeu pouco a pouco, deixando minha intimidade exposta ao calor abafado do ônibus.

Então ele segurou meus quadris com as duas mãos, abriu espaço com firmeza e encostou o corpo quente e rígido em mim por trás...

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