Existe Coletânea Com Todas As Crônicas De Machado De Assis?
2026-05-27 14:06:20
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MikaViu
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3 답변
Ulysses
Leitor confiável
Radiologista
Machado de Assis é um dos meus escritores favoritos, e a pergunta sobre uma coletânea completa das crônicas dele me fez lembrar de como suas observações sobre a sociedade brasileira do século XIX ainda são incrivelmente relevantes. A obra 'Crônicas de Machado de Assis', organizada por John Gledson, reúne uma seleção significativa, mas não todas. A Fundação Casa de Rui Barbosa também publicou volumes como 'A Semana' e 'Bons Dias', que compilam parte do trabalho.
Infelizmente, uma coleção que abarque absolutamente tudo ainda não existe, o que é uma pena, porque cada crônica perdida é um pedacinho da genialidade machadiana que falta. Mas, se você quer mergulhar no universo dele, começar com essas edições já é um ótimo caminho. E quem sabe um dia alguém não decide reunir tudo em um único volume? Seria um sonho realizado.
2026-05-31 12:13:21
6
Oliver
Olhar leitor
Comerciante
Machado de Assis escreveu crônicas durante décadas, e a ideia de juntar todas em um só lugar seria incrível. Até agora, o que temos são compilações parciais. A edição da Nova Aguilar, por exemplo, reúne bastante material, mas ainda não é definitiva.
O que me encanta nessas crônicas é como ele consegue ser tão atual. Se fosse vivo hoje, provavelmente estaria viralizando no Twitter com seus comentários ácidos. Se você quer explorar esse lado dele, vale a pena buscar as antologias disponíveis. E torcer para que, no futuro, alguém decida fazer a coletânea dos sonhos dos fãs.
2026-06-02 08:36:37
14
Nora
Conhecedor
Piloto
Adoro quando alguém pergunta sobre Machado de Assis, porque ele tem esse jeito único de misturar ironia fina com reflexões profundas. Quanto às crônicas, a verdade é que elas foram publicadas em jornais da época, e muitas ficaram dispersas. Algumas foram reunidas em livros como 'Histórias sem Data' e 'Papéis Avulsos', mas uma coletânea completa ainda não foi feita.
O que acho fascinante é como essas crônicas mostram um Machado mais descontraído, quase um blogueiro do século XIX. Ele falava de política, costumes, e até fofoca da época. Se você quer uma imersão, recomendo procurar os volumes da Coleção Afrânio Coutinho, que traz uma boa parte delas. É uma leitura que nunca envelhece.
2026-06-02 21:08:46
8
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As Cinzas da Nossa História
Aurélia
10
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Quando Gabriel trouxe sua sétima amante grávida para que eu realizasse o parto, seus amigos fizeram apostas sobre quantos segundos eu perderia o controle.
No entanto, até o momento em que o choro do bebê ecoou pela sala de parto, ninguém ouviu um único grito histérico vindo de mim.
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Assim que terminou de falar, saí da sala de parto carregando um bebê nos braços. Seguindo o protocolo profissional, anunciei:
— Parabéns. Três quilos e oitocentos. Mãe e filho estão bem.
Sorrindo, Gabriel pegou o bebê no colo e me entregou um acordo de divórcio.
— Assine. É só uma encenação para agradar a moça. Ela insiste que eu me divorcie de você antes de ter um segundo filho comigo. Quando o segundo nascer, teremos oito filhos. Aí ninguém mais ousará dizer que você não merece ser minha esposa.
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Em seguida, aceitei o pedido de casamento de outro homem.
Gabriel devia ter se esquecido de que eu não sou incapaz de ter filhos, mas sim de que éramos geneticamente incompatíveis. Se eu quisesse uma criança, bastava encontrar outro homem.
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Irmãos. Padrastos. Professores. Alunas.
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Quando abri os olhos novamente estava de volta ao dia do incêndio.
Na sétima vez em que combinei com Breno Lima de ir ao cartório buscar nossa certidão de casamento e fui deixada esperando, tomei a iniciativa de cortar todos os laços que ainda nos uniam.
Se havia um encontro de amigos em que ele estava presente, eu simplesmente deixava de ir.
Se ele era convidado para se apresentar na comemoração da escola, eu me retirava antes do início.
Se a empresa decidia fechar parceria com ele, eu pedia demissão imediatamente.
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Bloqueei seu número, apaguei-o da lista de contatos, cortei tudo sem deixar rastros.
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Durante os trinta anos anteriores, passei a maior parte da vida apaixonada por ele, cuidando dele com todo o meu empenho.
Só depois de ser deixada esperando pela sétima vez no cartório é que despertei.
Não queria mais viver assim.
Mesmo que fosse para ficar sozinha, não queria passar mais um dia e uma noite guardando uma casa vazia!
Machado de Assis é um desses autores que transcendem gerações, e sua poesia muitas vezes fica um pouco esquecida diante da fama dos romances. A coletânea completa dos poemas dele pode ser encontrada em edições específicas dedicadas à sua obra poética, como 'Poesias Completas de Machado de Assis', publicada por editoras de renome como a Nova Aguilar ou a Editora Garnier.
Além disso, muitas bibliotecas universitárias e municipais têm seções dedicadas à literatura brasileira onde você pode encontrar essas edições. Se preferir o digital, plataformas como Domínio Público ou o site da Biblioteca Nacional costumam disponibilizar parte da obra dele gratuitamente. Vale a pena também dar uma olhada em sebos online, onde edições antigas às vezes aparecem com um charme extra. A poesia do Machado tem uma melancolia e uma ironia fina que fazem valer a busca.
Machado de Assis é um daqueles autores que nunca saem de moda, né? Se você está procurando as crônicas dele online, tem algumas opções super acessíveis. O Domínio Público, do governo brasileiro, é um ótimo lugar pra começar – lá você encontra várias obras dele de graça, incluindo crônicas. Também recomendo dar uma olhada no site da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, que digitalizou um acervo incrível.
Outra dica é o projeto 'Machado de Assis: obra completa', que reúne tudo num só lugar. Se você curte audiolivros, o YouTube tem canais dedicados à leitura das crônicas, ótimo pra escutar enquanto faz outras coisas. E não esqueça os e-readers: muitas livrarias digitais oferecem coletâneas dele por preços bem acessíveis.
Machado de Assis tem essa magia de transformar o cotidiano em algo extraordinário, e nas crônicas isso fica ainda mais evidente. Enquanto os romances dele, como 'Dom Casmurro' ou 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', mergulham fundo na psicologia dos personagens e constroem tramas complexas, as crônicas são como conversas despretensiosas com um amigo sagaz. Elas captam pequenos momentos, críticas sociais disfarçadas de humor, e reflexões que parecem escritas hoje, não no século XIX.
A diferença mais gritante está no ritmo. Os romances são arquitetados como dramas, com reviravoltas e densidade psicológica. Já as crônicas são ágeis, quase cinematográficas — algumas cabem numa página, mas deixam aquele gostinho de 'quero mais'. É como comparar um banquete (romances) com um café da tarde repleto de petiscos irresistíveis (crônicas). E cá entre nós: ambas são deliciosas, mas a crônica te pega quando você menos espera.
Machado de Assis tem um olhar afiado para o Rio de Janeiro em suas crônicas, misturando ironia fina com observações sociais que revelam a cidade em transformação. Ele captura desde os hábitos da elite até os pequenos dramas dos moradores comuns, pintando um retrato vivo da capital do século XIX. A maneira como descreve os costumes, as ruas e até os becos mostra uma cidade cheia de contradições, onde o progresso convive com a miséria.
Seus textos têm um tom quase cinematográfico, como se cada crônica fosse uma cena de um filme sobre o Rio. A Praça XV, o Largo do Machado e outros locais ganham vida através de detalhes que só um flâneur como ele poderia notar. É impressionante como consegue ser tão atual, mesmo escrevendo há mais de cem anos – algumas das críticas à sociedade carioca ainda ressoam hoje.