Livros que mergulham fundo no tema da tribulação têm um poder incrível de nos fazer refletir sobre resiliência, superação e a natureza humana. Um que me marcou bastante foi 'A Estrada', de Cormac McCarthy. A narrativa seca e crua acompanha um pai e seu filho em um mundo pós-apocalíptico, onde cada dia é uma batalha pela sobrevivência. A forma como McCarthy explora o amor paternal em meio ao caos é de cortar o coração – aquela relação frágil, mas cheia de esperança, me fez pensar muito sobre o que realmente importa quando tudo desmorona.
Outro que não sai da minha cabeça é 'Ensaio sobre a Cegueira', de José Saramago. A alegoria da cegueira branca que assola uma sociedade inteira é assustadoramente realista. Saramago joga luz sobre como as pessoas reagiriam se as estruturas sociais desaparecessem: alguns se tornam monstros, outros encontram uma centelha de humanidade. A jornada da mulher do médico, única que enxerga, é angustiante e bela. E, claro, não dá para falar de tribulação sem mencionar '1984', de George Orwell. A opressão do Grande Irmão e a maneira como Winston resiste – mesmo quando sabe que está perdido – é um soco no estômago. Essas histórias doem, mas é uma dor que vale a pena sentir.