LOGINOs meses após o retorno de Zion aos palcos foram como um suspiro longo e profundo depois de anos prendendo a respiração. A casa estava mais viva do que nunca. Risadas ecoavam pelos corredores largos, o cheiro de café fresco misturava-se ao som distante de Zion tocando violão no estúdio, Luka digitando furiosamente em seu escritório de comando e Elias treinando os meninos na academia particular. Eu observava tudo
Acordo com a luz fraca do amanhecer entrando pelas cortinas pesadas.O corpo ainda está tenso. Passei a noite inteira no sofá, de olhos semiabertos, ouvindo cada respiração dela. Elara dormiu mal. Ouvi quando ela puxava as algemas, quando soluçava baixinho e quando finalmente o silêncio se instalou.Agora ela está acordada.Sinto o olhar dela em mim antes mesmo de me mexer. Quando abro os olhos, a encontro encarando. Os cabelos pretos bagunçados, a camisola fina grudada no corpo, os pulsos ainda presos acima da cabeça. Há raiva nos olhos verdes… e algo cansado por baixo.— Bom dia, pequena — digo, voz rouca de quem não dormiu.Ela cospe no meu nome.— Solta essas porras de algemas. Eu preciso ir ao banheiro.Eu me levanto devagar. Meu corpo dói de tanto ficar no sofá. Caminho até a cama e me inclino sobre ela. O cheiro dela — sabonete, pele quente e aquele ódio constante — sobe até mim. Seguro o queixo dela com firmeza.— Peça direito.— Vai se foder — ela rosna.Eu quase sorrio. Em v
Eu a ouço gritar do outro lado da casa.A funcionária que contratei, uma mulher mais velha chamada Marta, está tentando arrastar Elara para o banheiro. Os xingamentos ecoam pelos corredores: “Me solta, sua velha puta!”, “Eu não vou tomar banho debaixo das suas ordens!”, “Aquele filho da puta vai se arrepender de me comprar!”.Eu fico parado no corredor escuro, encostado na parede, ouvindo tudo. Meu lábio ainda arde onde ela me mordeu. O gosto de sangue ainda está na minha língua. E, porra, eu gosto.Minutos depois, a porta do banheiro se fecha com força. Ouço o barulho da água correndo. Marta sai alguns minutos depois, o rosto cansado.— Ela está lá dentro, senhor. Algemas só nos pulsos agora. Tirei as dos pés. Mas… ela está muito agressiva.— Deixe-a — respondo baixo. — Vá dormir. Eu cuido do resto.Quando a casa finalmente silencia, eu caminho até a porta do banheiro. Não bato. Apenas abro.Elara está de pé debaixo do chuveiro quente, de costas para mim. A água escorre pelo corpo de
O carro corta a estrada escura em silêncio. Eu estou no banco de trás, ao lado dela. Elara está encostada na porta oposta, o mais longe possível de mim, pulsos e tornozelos ainda algemados. Seus olhos verdes não param de me fuzilar. Cada vez que respiro, sinto o peso daquele ódio queimando minha pele.Eu não digo nada durante todo o trajeto. Apenas observo.Ela é ainda mais bonita de perto. Mesmo com o hematoma no rosto e o vestido rasgado, há algo feroz nela. Algo que me faz querer quebrar e proteger ao mesmo tempo.Quarenta minutos depois, os portões de ferro da mansão se abrem. A casa fica isolada, cercada por mata densa e um lago escuro ao fundo. Perfeita para manter alguém escondido. Perfeita para mantê-la segura.Os seguranças param o carro. Eu saio primeiro e dou a volta. Quando abro a porta do lado dela, Elara tenta me chutar. Eu seguro sua perna com facilidade e a puxo para fora.— Não complique as coisas — murmuro, segurando seu braço com firmeza.— Me solta, seu filho da pu
Nota da AutoraQueridos leitores,Quando terminei a história de Maeve, Zion, Luka e Elias, pensei que seu amor possessivo e caótico havia encontrado o fim que merecia. Mas as sombras nunca dormem de verdade.Agora, anos depois, é hora de contar a história de Nolan Rhodes.O menino que cresceu no meio do caos. O homem que carrega o sangue de um monstro e o coração de quem aprendeu a amar da única forma que conhece: intensa, perigosa e absolutamente possessiva.Neste novo arco, tudo muda de perspectiva. A narrativa agora é dele — em primeira pessoa, crua, sem filtros. Vocês vão entrar na mente de Nolan, sentir sua obsessão, sua raiva, seu medo de se tornar como o pai e o desejo avassalador de proteger (e possuir) a única mulher que conseguiu atravessar suas muralhas.Preparem-se para um dark romance ainda mais sombrio, tóxico e ardente. Com leilões clandestinos, ódio que vira fogo, posse que queima, e um amor que machuca tanto quanto cura.Elara Kane não será apenas uma mulher. Ela será
A capa do terceiro livro era uma declaração de vitória silenciosa. Onde os anteriores haviam carregado tons sombrios e incertos, este exibia uma aquarela em dourados e azuis profundos — cores que lembravam amanheceres sobre o oceano, promessas cumpridas, horizontes que finalmente se revelavam alcançáveis. O título, gravado em letras manuscritas como uma confissão íntima, era simples e revolucionário: “Viver”.Maeve segurava o exemplar entre as mãos, sentada à mesa de autógrafos na livraria que havia escolhido com cuidado deliberado. Não a maior, não a mais famosa, mas aquela em que, aos dezessete anos, havia comprado seu primeiro livro de poesia numa tarde chuvosa, fugindo de casa para não ouvir os comentários ácidos
Por volta do meio-dia, o trabalho de parto entrou na fase de transição — o momento mais intenso, quando o corpo se prepara para a expulsão final. A dor se tornou algo transcendente, uma força da natureza que parecia maior que qualquer coisa que Maeve havia experimentado. Por alguns minutos, ela se perdeu nela, sentindo-se pequena e assustada diante da magnitude do que seu corpo estava fazendo.Foi então que os fantasmas do passado tentaram ressurgir. A voz de sua mãe ecoou em sua mente — você sempre foi dramática, sempre exagerava tudo, nunca foi forte o suficiente. O medo antigo de não ser capaz, de não merecer, de estar fadada a repetir os erros que havia jurado evitar.— Eu não co
Capítulo 6 — O Jantar BrancoO vestido era branco.Claro que era.Nem marfim, nem pérola, nem qualquer mentira elegante inventada para suavizar a crueldade. Branco. Liso. Escandalosamente simples. O tipo de vestido que parece inocente até tocar a pele errada.— Não vou usar isso — digo, segurando o
Capítulo 5 – Tempestade no ConvésO sol do Caribe bate forte no meu rosto enquanto caminhamos pelo convés principal. O robe de seda preta que Zion me deu mal esconde o que aconteceu nas últimas horas. Meus pulsos ainda estão marcados, vermelhos sob as mangas largas. Cada passo me lembra que estou a
Capítulo 4 – Migalhas de LuxoZion continua deslizando o morango gelado pelo meu mamilo, circulando lentamente, provocando. Elias mantém dois dedos pressionados contra minha entrada encharcada, abrindo-me, mas sem penetrar, apenas sentindo o quanto estou molhada e desesperada.— Diga — repete Elias
Capítulo 3 – A Espera que QueimaO tempo dentro dessa suíte se transforma em algo viscoso e cruel.Minutos se esticam como horas. Não sei mais se passaram trinta minutos ou três horas desde que a porta se fechou com aquele clique definitivo. O relógio digital na mesinha marca 23:47, mas o mar negro







