Se connecterCauã tinha ficado dois dias em Rivara. Ele e Douglas já tinham deixado praticamente todos os detalhes da parceria fechados, restando apenas uma pequena parte de questões técnicas, que dependeria de o time de engenharia montar um plano específico para, depois, eles voltarem a alinhar.Naquela noite, Douglas convidou Cauã para jantar.Os dois comiam e conversavam. Douglas continuava sendo um homem de poucas palavras, mas, de vez em quando, ele soltava uma ou outra piada leve, sem muito peso, bem diferente da rigidez do primeiro encontro.No meio do jantar, o celular de Cauã tocou. Ele olhou de relance para o visor e, na mesma hora, se levantou e se afastou para atender.Ninguém sabia o que o outro lado tinha dito, mas, em segundos, o rosto de Cauã fechou completamente.— O irmão dela? O que ele aprontou agora? — Ele perguntou, com a voz já gelada.O funcionário respondeu do outro lado da linha, claramente tenso:— Ele apanhou de novo. Desta vez os cobradores foram direto atrás da Lilian.
Quando Cauã chegou a Rivara, caía uma neve fina do céu.— Quem é o responsável por esse projeto do lado do Grupo Duarte? — Cauã se recostou no banco de trás e folheou o material que o assistente tinha acabado de entregar.— É o Douglas Duarte, vice‑presidente executivo do Grupo Duarte e único herdeiro da família Duarte. — O assistente respondeu. — Antes quem acompanhava tudo de perto era o avô dele. Desta vez, eles passaram para ele, provavelmente para ele ganhar experiência.O movimento de folhear as páginas parou por um instante.— Douglas? O caçula da família Williams? — Cauã confirmou.— Isso mesmo.Cauã arqueou as sobrancelhas.— Certo, então vamos começar falando diretamente com ele.A família Frota e a família Williams eram ligadas há gerações. Quando era criança, Douglas tinha ido algumas vezes brincar na casa dos Frota e se dava bem com Nina.Mas Cauã não conhecia tão bem assim o rapaz. Ele só lembrava que Douglas falava pouco e era o oposto do Soren, que sempre foi bom de con
Na manhã seguinte, Virgínia já estava esperando cedo na sala. Quando ela viu Nina descer as escadas, aproximou‑se e avisou:— Dona Nina, o Soren já sabe que a senhora tomou café com o Saulo ontem.Nina franziu a testa.— Como ele ficou sabendo?Virgínia balançou a cabeça.— Eu não sei. Mas hoje de manhã começaram a comentar do lado da família Brito que o Soren ligou para eles ontem à noite. Pelo jeito, ele não falou de um jeito nada amigável.O olhar de Nina foi ficando cada vez mais frio.Soren estava usando o peso do sobrenome Williams para pressionar a família Brito. Ele não queria o divórcio e, como não tinha como controlá‑la de frente, só tinha coragem de fazer essas jogadas por trás.Nina caminhou até a janela e, ali mesmo, ligou diretamente para o Soren.Do outro lado, a voz do Soren soou um pouco surpresa:— Nina?— Você está em Cidade B? — Nina perguntou.— Estou, eu estou em casa. Você…— Você está livre na hora do almoço? — Nina cortou, sem rodeios. — Eu quero te ver.Soren
Saulo tinha uma noção de limite impecável. Ele não fazia perguntas íntimas demais para Nina, nem forçava uma aproximação artificial.Depois de algumas xícaras de café, Saulo respirou fundo, recolheu um pouco o olhar e então fitou Nina com calma.— Nina, tem uma coisa que eu pesei bastante e, no fim, eu cheguei à conclusão de que você tem o direito de saber.Os olhos claros de Nina se encontraram com os dele.— Você pode falar.— Ontem à noite o Soren chamou o meu pai para jantar e, no meio da conversa, ele acabou falando de você. — A voz de Saulo saiu muito estável, como se ele estivesse apenas repetindo um fato que não tinha nada a ver com ele. — Ele disse que vocês só tiveram uns mal‑entendidos e que logo vão se acertar. Ele pediu para a nossa família Brito não se meter entre vocês.A última frase, saindo da boca dele, não soou sarcástica. Soou, na verdade, levemente resignada.Os dedos de Nina apertaram, quase imperceptivelmente, a alça da xícara, mas o rosto dela continuou calmo, s
Nina manteve a expressão tranquila.— Eles que falem o que quiserem, isso não importa. Você não precisa ligar.— Eu não tenho medo do que eles falam. — Patrícia suspirou. — Eu tenho medo é de alguém acreditar e isso acabar atrapalhando você de seguir em frente, refazer a vida e encontrar outro casamento.— Vovó, eu não estou pensando nisso agora. — A voz de Nina saiu serena. — Eu, sozinha, também estou muito bem.Patrícia olhou para ela por alguns segundos, não insistiu mais no assunto e voltou a dar leves tapinhas no dorso da mão da neta.— Está certo. O importante é você saber mesmo o que está fazendo.Depois do jantar, Nina voltou para o quarto, tomou banho e vestiu um robe de seda.A tela do celular em cima da mesa acendeu de leve. Era uma mensagem de Virgínia.[Dona Nina, as coisas já foram entregues na família Williams. O Magnus recebeu pessoalmente. Ele pediu para eu te dizer que, quando você tiver um tempo, ele ainda quer te convidar para jantar.]Quanto ao que ela tinha mandad
No dia seguinte, quando Nina acordou com o próprio relógio biológico, o lado de fora da janela ainda estava tomado por uma névoa espessa.Depois de se arrumar no banheiro, Nina desceu para tomar café da manhã. A empregada, já acostumada com a rotina dela, colocou uma xícara de café preto à direita, com todo cuidado para não fazer barulho.Virgínia entregou uma pasta de documentos para ela e permaneceu ao lado, fazendo o relatório do dia.— A responsável pelo projeto da fundação de caridade lá em Cidade B marcou para depois de amanhã às dez da manhã. Eu já mandei o endereço para o seu celular.— Está bem. — Nina abaixou os olhos para ler os papéis. — E o pessoal do grupo?— Aqueles hotéis que estão no nome da senhora Patrícia querem negociar uma parceria para um baile anual de gala beneficente. Eu marquei para depois de amanhã às dez e meia da manhã.Nina assentiu com a cabeça e tamborilou os dedos, em silêncio, na borda do documento. Em seguida, fechou a pasta e a devolveu para Virgíni







