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Obrigada Pelo Divórcio, Meu Ex

Obrigada Pelo Divórcio, Meu Ex

Por:  Samuel FelinoCompletado
Idioma: Portuguese
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O avô Don Moreira deixou seu testamento antes de morrer. Nós, as cinco filhas dos Moreira, fomos proibidas de usar nosso sobrenome. Teríamos que viver como pessoas comuns até que uma de nós desse à luz o primeiro herdeiro. Ela receberia tudo. Durante três anos inteiros, escondi minha verdadeira identidade. Eu vivi com meu marido, Pedro Almeida, em um pequeno apartamento na zona sul da Cidade de Fairmont. Todas as manhãs, nós pegávamos o metrô lotado para ir trabalhar. Quando o dinheiro apertava, passávamos noites em claro planejando como manter a pequena empresa dele funcionando. Eu nunca achei difícil, porque eu o amava. Até o dia em que o médico me entregou o resultado dos exames. Eu era a primeira a engravidar. Naquele momento, meu corpo inteiro tremia de emoção. A vida pela qual Pedro e eu havíamos lutado durante tantos anos finalmente parecia estar ao nosso alcance. Voltei para casa dirigindo, sorrindo, imaginando qual seria a reação dele. Mas, assim que abri a porta, vi uma mulher usando a minha camisola favorita, dividindo com meu marido as maçãs que eu havia colocado na geladeira. Pedro mordeu uma maçã da mão dela e apenas lançou um olhar indiferente para mim. — Minha primeira paixão, Bianca Martins, voltou. Vamos nos divorciar. Meus dedos apertaram o relatório de gravidez escondido no bolso do casaco. Então, eu sorri. — Tudo bem. Ele nunca soube que a esposa que ele considerava sem dinheiro, submissa e sempre tolerante... Na verdade, carregava um sobrenome capaz de abrir todas as portas e permitir que ela andasse livremente pela Cidade de Fairmont. Eu daria à luz o herdeiro. Os negócios da minha família ainda seriam meus. Quanto ao meu marido? Eu estava pronta para deixá-lo partir.

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Capítulo 1

Capítulo 1

Quando entrei no apartamento, o acordo de divórcio já estava sobre a mesa de centro.

— Tudo está pronto. Assine.

Pedro Almeida estava relaxado no sofá, segurando uma taça de uísque na mão.

Bianca Martins estava sentada ao lado dele. Exatamente no lugar onde eu costumava me sentar todos os dias.

Quando entrei, ela levantou a cabeça e sorriu levemente para mim, como se já tivesse a vitória garantida.

Caminhei até a mesa e peguei o acordo.

Eram apenas três páginas. Todos os bens já estavam devidamente divididos.

O apartamento, a empresa, as contas de investimento, os carros... tudo estava em nome de Pedro.

Ao chegar à última página, vi que o único valor destinado a mim era uma compensação de apenas vinte e sete mil reais.

Três anos de casamento.

Era esse o valor que ele dava à nossa relação.

Fiquei olhando para aquele número por alguns segundos antes de levantar a cabeça.

— Só isso?

A expressão de Pedro quase não mudou. — Não há necessidade de prolongar isso, Helena. Esse valor é justo.

Justo.

Sentada à frente dele, Bianca colocou a taça de lado.

— Vinte e sete mil reais são suficientes para alugar um bom apartamento, Helena. Você acha pouco?

Ela me chamou assim, com uma intimidade que fazia parecer que éramos amigas de longa data.

Como se ela não fosse a mulher que havia esperado por tantos anos apenas para se intrometer no meu casamento.

Fiquei olhando para ela. — Quando você voltou?

— Ontem à noite. — O sorriso dela se aprofundou. — Pedro foi me buscar no aeroporto. Meu voo atrasou quase cinco horas, mas ele ficou lá esperando por mim.

Ontem à noite, Pedro havia me mandado uma mensagem dizendo que a empresa tinha uma reunião urgente e que ele precisava ficar no escritório.

"Não me espere."

Então, era com Bianca que ele estava naquele momento.

A lembrança pesou no meu coração, mas, para minha surpresa, percebi que a dor no peito não era tão intensa quanto eu imaginava.

Talvez a decepção que uma pessoa consegue suportar tenha um limite.

Depois de ultrapassar esse limite, tudo o que resta é apenas entorpecimento e cansaço.

Bianca inclinou levemente a cabeça e, com a maior naturalidade do mundo, apoiou-se no ombro de Pedro.

— Pedro disse que você é uma pessoa compreensiva. Tenho certeza de que você não vai transformar isso em um grande problema, não é?

A borda do envelope com o relatório de gravidez machucava a palma da minha mão.

Eu havia carregado aquele envelope comigo durante toda a manhã, correndo de um lado para outro.

No caminho de volta para casa, repassei várias vezes na cabeça o que eu diria.

— Pedro, finalmente vamos ter um filho. O filho que esperamos por tantos anos. O herdeiro que também está prestes a nos trazer uma enorme fortuna.

— Você nunca mais vai precisar ficar olhando para o teto às três da manhã, preocupado com o aluguel. E também não vai mais precisar beber até vomitar para lidar com os clientes.

Eu achava que aquela noite seria uma das mais felizes das nossas vidas.

Mas o que me esperava era um acordo de divórcio que precisava da minha assinatura.

Segurei a vontade de deixar meus lábios tremerem. — Onde está a caneta?

Ele apontou com o queixo para debaixo da mesa de centro.

Abaixei-me para pegar a caneta.

Daquela posição, vi os dedos de Bianca apoiados na coxa dele, desenhando círculos de forma íntima.

O envelope com o relatório de gravidez quase caiu do meu braço.

Rapidamente, apertei o cotovelo contra o corpo e o segurei com força.

— Assine na última página e coloque a data de hoje. — A voz dele veio de cima de mim.

Eu assinei. Helena Moreira.

A tinta secou quase no mesmo instante.

— Ótimo. — Disse Pedro. — Amanhã vamos ao cartório resolver tudo.

Na minha frente, ele pegou o celular, desbloqueou a tela e deslizou até a lista de contatos.

Meu contato apareceu na tela.

"Amor"

O polegar dele ficou parado sobre aquele nome por um segundo, antes de alterá-lo para:

"Helena"

Quando guardou o celular no bolso, meu olhar continuou preso naquele lugar por um longo tempo, sem conseguir me recuperar.

Bianca segurou o braço dele e sorriu:

— Pedro, estou com tanta vontade de comer sua costela cozida. Faz para mim hoje à noite?

— Tudo bem.

Ele respondeu sem hesitar. Depois, caminhou até a cozinha e colocou o avental.

Quase deixei escapar uma risada.

Três anos atrás, quando acabamos de nos casar, eu havia perguntado se ele sabia cozinhar.

Na época, ele me disse que uma vez havia queimado até o macarrão e quase causado um incêndio.

Pelo visto, ele havia aprendido depois.

Bianca deu de ombros para mim, claramente já acostumada com aquilo.

— Não fique aí parada, Helena. Você já deveria começar a arrumar suas coisas.

O olhar dela passou casualmente pelo corredor. — A designer de interiores vem amanhã. Vamos reformar este lugar. Então, se alguma coisa importante sua for jogada fora, não venha chorar depois.

Eu não respondi.

Subi e arrumei uma bolsa de lona.

Na verdade, não havia muita coisa para levar: meu passaporte, minha carteira e alguns objetos pessoais que eu havia trazido antes do casamento.

Quanto ao resto, podia deixar tudo ali.

Quando saí, passei pela cozinha.

Pedro estava cortando carne. A lâmina da faca batia na tábua em um ritmo firme e constante.

Ele não levantou a cabeça, e seus movimentos não pararam nem por um instante.

Bianca saiu comigo e ficou encostada no batente da porta, com os braços cruzados.

— Helena, não sei se deveria dizer isso.

— Pode dizer.

— Quando Pedro está comigo, ele nunca suspira. Mas nesses três anos com você, toda vez que eu ligava para ele, eu conseguia ouvir ele suspirando do outro lado da linha.

Ela abaixou a voz. — Talvez vocês dois simplesmente nunca tenham sido compatíveis.

Olhei para ela.

Ela não fazia a menor ideia do que aqueles suspiros realmente significavam.

Eles sempre apareciam quando faltava dinheiro, quando uma negociação dava errado, quando ele se via envolvido em processos ou quando alguma investigação surgia.

Eles sempre apareciam nas noites em que os credores ligavam de hora em hora cobrando dívidas, ou quando os concorrentes tentavam tirá-lo do mercado.

Toda vez que ele suspirava, eu passava a noite inteira acordada resolvendo os problemas até o amanhecer.

Quando o dia chegava, a crise já havia passado.

Ele apenas achava que era sorte, que o destino sempre estava ao seu lado.

Eu nunca corrigi essa ideia.

— Talvez você esteja certa. — Minha voz estava calma. — Nós realmente não somos compatíveis.

A porta se fechou atrás de mim com um estrondo.

Do outro lado da porta, ouvi a voz de Bianca, leve e satisfeita.

— Pedro, vamos trocar a senha da porta? Quero colocar a minha data de nascimento.

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