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Capítulo 4

Author: Samuel Felino
Na manhã seguinte, Pedro apareceu na porta do meu apartamento.

Antes mesmo de abrir a porta, eu já sabia por que ele estava ali.

No rosto dele havia uma expressão de quem "não tinha escolha a não ser assumir a responsabilidade".

Por um instante, nós dois ficamos em silêncio.

Então, ele falou: — Eu já sei.

— Sabe o quê? — Perguntei.

— Sobre a gravidez.

Como eu esperava. É claro que Bianca contaria a ele.

Dei espaço para que ele entrasse.

Assim que ele entrou, aquele apartamento pareceu ainda menor.

O olhar dele percorreu o cômodo: a cama estreita, a mesa dobrável embaixo da janela e a pequena cozinha improvisada espremida no canto.

Suas sobrancelhas se franziram levemente.

Eu não sabia se ele estava julgando aquele apartamento ou se estava se perguntando como eu conseguia morar ali.

Ele caminhou alguns passos para dentro e parou perto da janela.

— O que você pretende fazer? — Perguntou.

— Vou ter esse filho. — Respondi sem hesitar.

A linha do maxilar dele ficou tensa.

— E depois? — Seu tom se elevou levemente.

— Você mora em um apartamento desse tipo, trabalha em um emprego que paga o salário mínimo. Você mal consegue sustentar a si mesma. Como pretende criar uma criança?

Soltei um suspiro.

Mesmo naquele momento, aos olhos dele, eu continuava sendo aquela mulher que lutava apenas para sobreviver.

— Minha situação não tem nada a ver com você.

— Se o filho for meu, então tem a ver comigo.

Pedro passou a mão na ponta da cama, como se estivesse tirando uma poeira que nem existia, e sentou-se ali de má vontade.

Como se temesse que seu terno ficasse sujo por qualquer motivo.

— Bianca está grávida, você sabe disso, não sabe?

— Sim. Eu vi o relatório de gravidez que ela me mostrou...

— Ótimo.

Uma expressão de alívio passou pelo rosto dele.

— Meu primeiro filho deveria ser da Bianca.

O quarto ficou completamente em silêncio.

Antes que eu pudesse responder, a porta foi aberta.

A mãe dele entrou segurando a carteira.

Pelo visto, nenhum dos dois havia pensado em pedir minha permissão antes.

O olhar dela percorreu o quarto inteiro, sem esconder o descontentamento.

— Este lugar é ainda pior do que eu imaginava.

Ela colocou um cartão sobre a mesa.

— Aqui tem os duzentos e setenta mil reais. Somando com o dinheiro que Pedro vai dar a você, é o suficiente para recomeçar sua vida.

Que ridículo.

Aquele valor nem sequer seria suficiente para cobrir uma tarde de reunião da família Moreira.

— Sra. Teresa. — Falei com calma. — Eu vou ficar com este filho.

A expressão dela ficou severa no mesmo instante.

— Pare de fazer birra.

— Eu não estou.

Ela cruzou os braços.

— Bianca era a mulher que meu filho deveria ter se casado desde o começo.

— Ela recebeu uma boa educação, entende o nosso círculo e é digna de estar ao lado dele. Mas você não é!

Aquela humilhação não me afetou muito.

O que realmente chamou minha atenção foi Pedro.

Enquanto sua mãe continuava falando sem parar, ele apenas ficou encostado na parede, olhando as mensagens no celular.

Ele não disse uma palavra. Como se tudo aquilo não tivesse nada a ver com ele.

Finalmente, levantou a cabeça. Mas não foi para me defender.

— Helena, se você insistir em não tirar o bebê, assim que ele nascer, vou entrar imediatamente com um pedido de guarda.

Aquelas palavras ecoaram pelo quarto.

Frias. Calculadas. Cheias de intenção.

Meus dedos, que estavam ao lado do corpo, se fecharam inconscientemente.

Ele continuou:

— Eu tenho imóveis, bens e uma carreira estável. Já você não tem nada disso. O juiz com certeza vai me dar a guarda.

— Quando isso acontecer, Bianca vai criar esse filho pessoalmente.

Deixar aquela mulher criar meu filho?

Permitir que as primeiras mãos que meu bebê conhecesse fossem as dela?

A mãe dele empurrou meu ombro.

— Você ouviu? Não pense que só porque está grávida você é alguém importante. Aos nossos olhos, você não é nada.

Naquele momento, o celular de Pedro acendeu.

"Bianca: Deu tudo certo? Comprei o bolo de queijo que você mais gosta."

A expressão dele suavizou imediatamente.

Ele digitou uma resposta rapidamente, bloqueou a tela e olhou para mim cheio de expectativa.

Ele tinha certeza de que eu só poderia aceitar a proposta dele.

Minha mão tocou suavemente minha barriga.

Queria disputar a guarda?

Ele nem imaginava contra quem estava declarando guerra.

Tirei da bolsa o celular criptografado que eu não usava desde que me casei.

Desbloqueei o aparelho e selecionei um dos poucos números salvos na agenda.

A ligação foi atendida no primeiro toque.

— Venha me buscar, pai.

Pedro e sua mãe olharam ao mesmo tempo para mim, que falava em italiano, com expressões de surpresa nos rostos.

Do outro lado da linha, uma voz masculina grave e autoritária respondeu, também em italiano:

— Dez minutos.

A ligação terminou. Pedro franziu a testa e ficou me encarando.

— Quem era? Helena, como eu nunca soube que você falava italiano?

— É meu pai.

Respondi com indiferença.

A Sra. Teresa soltou uma risada fria e lançou um olhar de desprezo para mim.

— Tudo bem, vamos ficar aqui esperando! Você acha que aprender algumas frases em italiano de última hora vai me enganar? Quero ver que tipo de truque o pai de uma pobre como você vai tentar fazer!

Pedro ficou parado ali, franzindo a testa, completamente confuso.

Olhei para a mãe dele.

— Não se preocupe. Quando ele chegar, eu não vou mais disputar a guarda.

Dez minutos depois, dezenas de carros de luxo pretos pararam em frente àquele velho prédio de apartamentos.

A expressão de Pedro, que antes demonstrava tanta certeza da vitória, finalmente mudou.

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