Ivone estava inteira encharcada. Ela tinha ficado só alguns segundos parada na porta e, aos pés dela, já se formava uma pequena poça de água.Ivone entrou no quarto. O cômodo, do tamanho de dois quartos do condomínio Vida Doce juntos, parecia exageradamente amplo.Bem no centro havia uma cama enorme, coberta com lençóis e edredom em tons de azul-escuro e preto, uma cor profunda e silenciosa como o mar.Aquilo fez Ivone lembrar, de imediato, de tudo o que tinha acabado de acontecer lá fora, em alto-mar.Ivone apertou os lábios. A boca, ainda inchada e avermelhada pelos beijos dele, doeu tanto que ela precisou puxar o ar. O ponto onde ele a havia mordido latejava, misturando dormência e dor.Nesse momento, passos soaram na direção da escada. O ritmo era firme, controlado, sem pressa. Fabiano subiu, igualmente encharcado, e ergueu os olhos para a silhueta delicada parada ali na porta.Ivone ficou de pé, imóvel, sem saber ao certo no que estava pensando.A imagem que rodava na cabeça de Fa
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