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Meus olhos se abrem devagar, pesados, como se o mundo inteiro estivesse submerso em melado escuro. A primeira coisa que sinto é o balanço suave — não o de um carro, nem de uma cama comum. É o movimento constante e profundo de algo grande cortando o mar. O cheiro de sal, madeira envernizada e luxo caro invade minhas narinas.
Depois vem a dor nos pulsos.
Cordas de seda preta, macias, mas implacáveis, prendem meus braços acima da cabeça, amarrados à cabeceira de uma cama king-size absurdamente luxuosa. Minhas pernas estão livres, mas o peso de um lençol de cetim mal cobre minha nudez. Alguém me despiu. Alguém me trouxe até aqui.
Meu coração dispara quando a realidade me acerta como um soco no estômago.
Estou em um cruzeiro. Em alto-mar. E não é por escolha própria.
— Boa noite, princesa — a voz de Zion corta o ar, baixa, rouca, carregada de satisfação sombria.
Ele está sentado na poltrona ao lado da cama, pernas abertas, cotovelos apoiados nos joelhos, observando-me como um lobo que finalmente capturou a presa que perseguia há anos. A cicatriz acima da sobrancelha esquerda destaca-se sob a luz dourada do abajur. Seus olhos negros parecem dois buracos que sugam toda a luz do ambiente.
Ao pé da cama, Luka inclina-se contra a cômoda, braços cruzados. Seus cabelos cor de mel sujo caem desordenados sobre a testa. O olho azul cristalino e o castanho quente brilham com uma mistura perigosa de desejo e determinação. Ele gira um copo de uísque entre os dedos, o líquido âmbar refletindo a luz.
— Você dormiu por quase dez horas — diz ele, voz calma, quase clínica. — Dei algo leve para ajudar. Não queria que você fizesse cena no píer.
Elias está de pé, encostado na parede oposta, braços cruzados sobre o peito largo. Sua pele negra profunda contrasta com a camisa branca impecável. Os olhos castanho-escuros não deixam meu rosto. Ele não precisa falar. Sua presença é uma sentença.
Eu puxo as cordas instintivamente. A seda morde minha pele, enviando um arrepio traiçoeiro pelo meu corpo.
— Que porra é essa? — minha voz sai rouca, arranhada. — Me soltem agora.
Zion inclina a cabeça, um sorriso lento e predatório curvando seus lábios.
— Não.
Ele se levanta devagar, aproximando-se da cama como se tivesse todo o tempo do mundo. O navio balança suavemente, lembrando-me de que estamos longe de qualquer terra. Longe de qualquer ajuda.
— Você passou os últimos cinco anos fugindo, Maeve. Correndo de nós. Correndo de si mesma. — Ele para ao lado da cama e passa um dedo pela minha perna exposta, subindo devagar até a coxa. — Chega. Nós terminamos de pedir.
Luka dá um passo à frente, colocando o copo na mesa.
— Você nos conhece há tempo demais para achar que íamos continuar aceitando migalhas. Declan concordou. A Organização não gosta de instabilidade. E você, amor… você é a maior instabilidade da nossa vida.
Máfia. A palavra paira no ar sem ser dita. Luka e Zion, junto com Declan Callahan — marido de Evie —, mergulhados até o pescoço no mundo irlandês. Dinheiro sujo. Sangue. Poder. E eu, a mulher que eles amam e odeiam na mesma medida, sou o elo fraco que pode destruir tudo.
Elias finalmente se move. Senta-se na beira da cama, sua mão grande e calejada pousando possessivamente sobre minha barriga nua.
— Você é nossa — diz ele, simples, direto, sem floreios. — Sempre foi. Desde aquela noite na praia. Desde o dia em que Matthew foi concebido.
Meu coração falha uma batida ao ouvir o nome do meu filho.
— Matthew… onde ele está? — exijo, puxando as cordas novamente.
— Com Evie e Claire — responde Zion, sentando-se do outro lado da cama. Sua mão sobe pela minha costela, polegar roçando a curva inferior do meu seio. — Seguro. Protegido. Assim como você vai estar a partir de agora.
Luka se aproxima pela cabeceira, inclinando-se até seu rosto ficar a centímetros do meu. Sinto o cheiro dele — colônia cara, uísque e algo mais escuro, mais perigoso.
— Teremos um tempo aqui neste navio, no qual você não conseguirá escapar de nós dessa vez. — Seus lábios roçam minha orelha. — Vamos quebrar cada parede que você construiu. Vamos foder cada medo para fora de você. E quando desembarcarmos, você vai entrar naquela casa que compramos… ou vamos te manter presa até você entender.
Um arrepio violento percorre meu corpo. Raiva. Medo. E, que Deus me perdoe, excitação.
Eu odeio o quanto meu corpo reage a eles. Mesmo amarrada. Mesmo sequestrada. Mesmo sabendo que Zion e Luka têm sangue nas mãos e Elias está disposto a usar força para me manter.
— Vocês enlouqueceram — sussurro, mas minha voz falha quando Zion abaixa a cabeça e passa a língua lentamente pelo meu mamilo. Ele endurece instantaneamente.
— Talvez — murmura ele contra minha pele. — Mas enlouquecemos por você. E estamos cansados de fingir que conseguimos viver sem isso.
Elias aperta minha coxa, abrindo minhas pernas devagar. Seus olhos descem pelo meu corpo exposto, famintos.
— Você carrega segredos demais, Maeve. — Sua voz baixa. — Vamos tirar tudo de você. Até a última gota.
Luka segura meu queixo, forçando-me a olhar para ele.
— Começando agora.
O navio corta as águas escuras do Caribe. Eu consigo ouvir o som distante das ondas batendo contra o casco, o leve zumbido dos motores. Estamos realmente no meio do nada. Cercada por três homens que me amam de uma forma doentia, obsessiva e completa.
Zion morde de leve o lado do meu seio, arrancando um gemido traiçoeiro de mim.
— Boa menina — sussurra. — Já está molhada, não está?
Eu cerro os dentes, lutando contra as lágrimas e o calor que se espalha entre minhas pernas.
— Eu te odeio — rosno.
Luka ri baixo, sombrio.
— Ótimo. Odeie o quanto quiser. Enquanto você gozar nos nossos paus, pode nos odiar o quanto for.
Elias desliza a mão mais para baixo, dedos roçando minha entrada já escorregadia. Ele não penetra. Apenas provoca, circula, tortura.
— Esta é sua jaula dourada, Maeve — murmura ele. — E você vai aprender a amar cada corrente.
Eu puxo as cordas novamente, o corpo arqueando involuntariamente contra as mãos deles. Meu coração b**e tão forte que eu juro que eles podem ouvir.
Onze anos de amor, trauma, segredos e paixão culminando nisso: eu, amarrada em uma suíte presidencial de um cruzeiro de luxo, cercada pelos três homens que eu mais amo e mais temo no mundo.
Eles não vão me soltar.
Não até eu me render completamente.
Ou até eu quebrar.
Zion captura minha boca num beijo brutal, possessivo. O navio segue em frente, levando-me cada vez mais longe de qualquer possibilidade de fuga.
Eu sou, mais do que nunca…
Cativa deles.
Eu não consigo dormir.Passei a noite no sofá do escritório, no andar de baixo, a cabeça apoiada nas mãos, o gosto dela ainda na boca. Cada vez que fechava os olhos, via o corpo de Elara se contraindo em volta dos meus dedos. Ouvia o gemido que ela tentou engolir. Via as lágrimas de raiva e prazer escorrendo.Agora são quase nove da manhã.Eu subo as escadas com a bandeja na mão. Café preto, torradas, ovos, uma maçã cortada. Comida simples. Necessária. Quando abro a porta do quarto, ela está sentada no canto da cama, abraçando os joelhos, ainda só de calcinha. A camisa que eu tirei ontem está jogada no chão. O pescoço dela carrega a marca roxa que eu fiz. Os olhos estão inchados.Ela me olha como se eu fosse veneno.— Sai — murmura, a voz rouca.Eu entro mesmo assim e fecho a porta com o pé. Coloco a bandeja na cômoda.— Você precisa comer.— Eu não quero nada de você.Eu caminho até a cama e me sento na beira, longe o suficiente para não assustá-la de imediato, perto o suficiente par
O dia inteiro eu a deixo trancada.Não por crueldade.Por controle.Eu preciso me afastar. Preciso lembrar quem eu sou e o que jurei nunca me tornar. Mas, cada vez que fechava os olhos, via o corpo dela embaixo do meu. O pescoço marcado. Os olhos verdes, cheios de ódio e desejo. O jeito que ela tremia quando minha boca desceu pela pele.Agora é noite.Eu subo as escadas com passos lentos. A chave gira na fechadura. Quando abro a porta, a encontro sentada na beira da cama, ainda vestindo minha camisa preta. Os cabelos estão bagunçados. Os olhos, vermelhos. Ela não dormiu direito. Eu também não.— Você voltou — ela diz, a voz rouca de tanto gritar sozinha.— Eu nunca saí de verdade — respondo, fechando a porta atrás de mim. — Só te dei espaço para odiar com mais força.Ela ri, sem humor.— Que generoso.Eu caminho até ela. Devagar. Cada passo é calculado. Quando paro na frente dela, ela precisa levantar o rosto para me olhar. Eu gosto dessa posição. Gosto de vê-la pequena embaixo de mim
Eu a carrego de volta para o quarto como se ela pesasse nada.Ela luta o caminho inteiro. Unhas tentando rasgar a minha camisa, dentes buscando qualquer pedaço de pele que consigam alcançar, pernas chutando o ar com força. Eu não solto. Meu braço está firme em volta da cintura dela, o outro segurando os dois pulsos contra o peito. O cheiro dela sobe — raiva, sabonete caro, e aquele desejo que ela odeia admitir. Cada movimento do corpo dela contra o meu só me deixa mais tenso.— Solta, seu filho da puta! — ela grita, a voz rouca de tanto xingar.Eu não respondo. Apenas subo as escadas com passos firmes, sentindo o coração bater forte no peito. Quando chegamos ao quarto, eu a jogo na cama. O corpo dela quica no colchão macio e imediatamente ela tenta se levantar. Eu subo em cima dela antes que consiga. Joelhos de cada lado do quadril, mãos prendendo os pulsos acima da cabeça com força o suficiente para marcar. O peso do meu corpo a imobiliza completamente.— Pare de lutar — digo, ofegan
O silêncio depois da ligação da Maeve pesa no quarto.Elara ainda está algemada pelo pulso direito à cabeceira. A camisola fina marca o corpo dela de um jeito que me faz apertar a mandíbula. Eu fico de pé ao lado da cama, olhando para ela. Ela me devolve o olhar com a mesma fúria de sempre, mas agora tem algo diferente. Curiosidade. Medo. E aquela raiva queimando por baixo.— Sua mãe sabe que você é um sequestrador? — ela pergunta, a voz rouca de tanto gritar ontem.— Ela sabe que eu faço o que preciso para proteger o que é meu — respondo.Me aproximo e solto a algema. Elara imediatamente se senta e esfrega o pulso vermelho. Eu espero o golpe. Ele vem. Ela tenta me bater no rosto com a mão livre. Eu seguro o pulso no ar e a puxo para a beira da cama, obrigando-a a ficar de joelhos no colchão, de frente para mim.— Continua tentando — murmuro, inclinando o rosto perto do dela. — Cada vez que você me ataca, eu lembro do quanto você ainda tem fogo. E eu gosto de fogo.Ela cospe perto do
Acordo com a luz fraca do amanhecer entrando pelas cortinas pesadas.O corpo ainda está tenso. Passei a noite inteira no sofá, de olhos semiabertos, ouvindo cada respiração dela. Elara dormiu mal. Ouvi quando ela puxava as algemas, quando soluçava baixinho e quando finalmente o silêncio se instalou.Agora ela está acordada.Sinto o olhar dela em mim antes mesmo de me mexer. Quando abro os olhos, a encontro encarando. Os cabelos pretos bagunçados, a camisola fina grudada no corpo, os pulsos ainda presos acima da cabeça. Há raiva nos olhos verdes… e algo cansado por baixo.— Bom dia, pequena — digo, voz rouca de quem não dormiu.Ela cospe no meu nome.— Solta essas porras de algemas. Eu preciso ir ao banheiro.Eu me levanto devagar. Meu corpo dói de tanto ficar no sofá. Caminho até a cama e me inclino sobre ela. O cheiro dela — sabonete, pele quente e aquele ódio constante — sobe até mim. Seguro o queixo dela com firmeza.— Peça direito.— Vai se foder — ela rosna.Eu quase sorrio. Em v
Eu a ouço gritar do outro lado da casa.A funcionária que contratei, uma mulher mais velha chamada Marta, está tentando arrastar Elara para o banheiro. Os xingamentos ecoam pelos corredores: “Me solta, sua velha puta!”, “Eu não vou tomar banho debaixo das suas ordens!”, “Aquele filho da puta vai se arrepender de me comprar!”.Eu fico parado no corredor escuro, encostado na parede, ouvindo tudo. Meu lábio ainda arde onde ela me mordeu. O gosto de sangue ainda está na minha língua. E, porra, eu gosto.Minutos depois, a porta do banheiro se fecha com força. Ouço o barulho da água correndo. Marta sai alguns minutos depois, o rosto cansado.— Ela está lá dentro, senhor. Algemas só nos pulsos agora. Tirei as dos pés. Mas… ela está muito agressiva.— Deixe-a — respondo baixo. — Vá dormir. Eu cuido do resto.Quando a casa finalmente silencia, eu caminho até a porta do banheiro. Não bato. Apenas abro.Elara está de pé debaixo do chuveiro quente, de costas para mim. A água escorre pelo corpo de
Capítulo 6 — O Jantar BrancoO vestido era branco.Claro que era.Nem marfim, nem pérola, nem qualquer mentira elegante inventada para suavizar a crueldade. Branco. Liso. Escandalosamente simples. O tipo de vestido que parece inocente até tocar a pele errada.— Não vou usar isso — digo, segurando o
Capítulo 5 – Tempestade no ConvésO sol do Caribe bate forte no meu rosto enquanto caminhamos pelo convés principal. O robe de seda preta que Zion me deu mal esconde o que aconteceu nas últimas horas. Meus pulsos ainda estão marcados, vermelhos sob as mangas largas. Cada passo me lembra que estou a
Capítulo 4 – Migalhas de LuxoZion continua deslizando o morango gelado pelo meu mamilo, circulando lentamente, provocando. Elias mantém dois dedos pressionados contra minha entrada encharcada, abrindo-me, mas sem penetrar, apenas sentindo o quanto estou molhada e desesperada.— Diga — repete Elias
Capítulo 2 – Fúria e SolidãoEu puxo as cordas de seda preta com toda a força que consigo reunir, sentindo-as morderem meus pulsos como dentes afiados. Meu coração bate tão forte que parece querer escapar do peito. Estou nua. Completamente exposta. Cercada pelos três homens que eu mais amo e mais o







